LNEC inicia novo estudo sobre contaminação nas Lajes

Análise vai incidir sobre 33 locais e resultam de um cruzamento de informação já conhecida de outros relatórios e de novas suspeitas levantadas junto da opinião pública

Paula Freitas Ferreira
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O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) inicia hoje um novo estudo sobre a contaminação de solos e aquíferos na ilha Terceira, em conjunto com o laboratório homólogo dos Açores, revelou o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes.

"Hoje venho simbolicamente testemunhar o início dos trabalhos que vão ser levados a cabo pelo LNEC e pelo LREC [Laboratório Regional de Engenharia Civil], justamente para aprofundar alegações sobre eventuais sítios ou eventuais situações em que possa ou não existir contaminação", adiantou o ministro.

Azeredo Lopes falava, em declarações aos jornalistas, à margem da inauguração de um miradouro na Praia da Vitória, na ilha terceira, num terreno cedido pela Ministério da Defesa.

Segundo o ministro da Defesa Nacional, o novo estudo irá analisar 33 locais, que resultam de um cruzamento de informação já conhecida de outros relatórios e de novas suspeitas levantadas junto da opinião pública.

"Como é crucial que não fiquem dúvidas sobre esse tipo de imputações, é importante que uma entidade -- que a meu ver é mais do que credível e tem demonstrado a sua competência ao longo deste processo ambiental na ilha Terceira -- tenha a legitimação, o mandato e a incumbência de levar a cabo mais estudos para confirmar ou não confirmar as preocupações", salientou.

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos provocada pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

Azeredo Lopes sublinhou a necessidade de "transmitir uma ideia de segurança" à população da ilha Terceira, acrescentando que o novo estudo estava previsto há vários meses, mas só foi possível contratualizá-lo em abril.

"O Governo assumiu desde o início a incumbência de enfrentar esta questão, de a negociar com os Estados Unidos e de evidentemente ouvir os cidadãos sempre que esses problemas fossem suscitados", apontou.

No discurso de inauguração do novo miradouro, o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Tibério Dinis, reiterou que a autarquia vai "continuar a reivindicar firmemente a descontaminação total da pegada ambiental resultante da presença militar norte-americana".

Ainda assim, o autarca realçou que, na última reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América, "foram apresentados dados que espelham uma ação mais célere e efetiva do que a concretizada até então".

"Recebemos informação de que, além da intervenção em dois locais, outros oito locais estão a ser ou serão alvo de uma ação de descontaminação. Além disso, recebemos também indicação de se ter registado uma melhoria dos resultados nas intervenções realizadas na Porta de Armas e no South Tank Farm", afirmou, defendendo que se deu, "sem dúvida, um passo decisivo".