Anacom está a fiscalizar falhas nos telefones nas zonas afetadas pelos fogos

Homem de 79 anos teve de andar 2 km a pé para chamar INEM, depois de quatro meses sem telefone. A mulher acabou por morrer

Rui Salvador
© PAULO CUNHA/LUSA

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou esta sexta-feira que o regulador das telecomunicações, a Anacom, está a fiscalizar casos de falhas de funcionamento nas zonas afetadas pelos incêndios.

"O regulador já informou que iniciou um processo de fiscalização no terreno de reposição das condições de serviços por parte das varias operadoras. Essas operadoras têm vindo a dar nota pública de uma reposição significativa das comunicações, mas continua a haver queixas, a haver situações concretas, que vão sendo reportadas", disse o ministro no final de uma reunião do Conselho Económico e Social (CES), em Lisboa, onde esteve para falar de fundos comunitários.

O ministro afirmou ainda que a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), "após contacto exatamente por parte do Governo, informou que fará uma investigação aprofundada naquela situação em concreto que foi noticiada hoje, mas em geral o regulador já tinha informado e reforçou essa informação de que está no terreno a fiscalizar as condições de reposição do funcionamento dos serviços", disse, sublinhando que estes serviços são essenciais "para coesão territorial e para a vida das populações".

Uma notícia divulgada hoje pelo Jornal de Notícias refere que um idoso habitante no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) não conseguiu pedir socorro ao ver a mulher caída no chão, a meio da noite, por não ter o telefone fixo ativo e saber apenas usar o telemóvel para receber chamadas.

O homem, de 79 anos, teve de percorrer mais de dois quilómetros a pé para pedir auxílio. Mais de uma hora depois, as autoridades tentaram reanimar a mulher, mas já não conseguiram salvá-la.

Os grandes incêndios florestais de junho, em Pedrógão Grande e em concelhos vizinhos, e de outubro, que deflagraram em vários concelhos da região Centro, provocaram 112 mortes (a que se somam outras quatro de outros fogos florestais) e centenas de feridos, além de avultados prejuízos materiais, entre perda total de habitações, corte de comunicações e estradas.

Segundo um estudo internacional, os incêndios de 2017 resultaram num prejuízo superior a mil milhões de euros, dos quais apenas 244 milhões estão cobertos por seguros.

Segundo os dados conhecidos, "houve 1,2 biliões [mil milhões] de dólares (cerca de mil milhões de euros) de perdas económicas, das quais apenas 300 milhões [de dólares] (cerca de 244 milhões de euros) estão devidamente transferidos para apólice de seguro", disse à agência Lusa o diretor técnico da corretora de seguros Aon em Portugal.

O relatório Anual de 2017 Análise de Clima e Catástrofes, realizado pela Aon, aponta os cinco desastres naturais mais significativos na Europa, Médio Oriente e África, entre os quais estão os incêndios de outubro em Portugal.