Empresa de segurança não esclarece se agressor de Nicol continua ao serviço

Empresa de segurança a que pertence o homem que agrediu brutalmente jovem de 21 anos na noite de São João não diz se agressor continua ao serviço nem quais as normas internas nestes casos. 2045 trabalha para metro do Porto e STCP assim como, desde março, para a Carris (Lisboa). É também a empresa encarregada da segurança da Academia do Sporting, em Alcochete

Fernanda Câncio

Na madrugada de 24 de junho, noite de São João, Nicol Quinayas, de 21 anos, foi brutalmente agredida por um segurança da empresa 2045 que estava a trabalhar como fiscal para os Serviços de Transporte da Cidade do Porto. De acordo com a jovem e várias testemunhas, o homem terá também proferido vários insultos racistas, como reporta hoje o DN. Ao início da tarde, após a publicação deste e outros relatos sobre o caso, nos quais se informa que a vítima apresentou queixa à PSP, a 2045 veio comunicar ter conhecimento da ocorrência e ter iniciado um processo de averiguações interno. Mas, ao contrário da STCP, que ontem certificou ao DN que aquele funcionário da 2045 se encontra suspenso - do serviço da transportadora, presume-se -- não esclarece se funcionário continua ao serviço nem que preveem as normas internas quando um funcionário é acusado de agressão.

"Confirmamos a ocorrência nos STCP do Porto, na noite de S. João, pelas 5h30/6h00. A ocorrência foi comunicada à PSP que esteve presente no local. A 2045, S.A. iniciou um processo de averiguações interno que está a decorrer. A 2045, S.A. tem cerca de 3000 funcionários, entre vigilantes e colaboradores da estrutura, sendo que estão inseridos na equipa elementos de várias etnias sem qualquer tipo de descriminação de nacionalidade, religião, raça ou género."

Este é o conteúdo do mail que o DN recebeu em resposta a cinco perguntas efetuadas por escrito depois de, no início da tarde de 25 de junho, antes mesmo de conseguir chegar à fala com a jovem agredida, contactar a 2045. Nessa altura, Miguel Pinho, que se identificou como "gestor", recusou sequer confirmar se tinha conhecimento da situação e exigiu perguntas por escrito. O DN assim fez logo de seguida, solicitando à 2045 que confirmasse ou infirmasse a existência da agressão e se era verdade que a polícia tinha sido chamada ao local e a jovem levada ao hospital. Perguntámos também se o funcionário em causa continuava ao serviço. A 2045, que presta serviço aos Serviços de Transporte da Cidade do Porto e ao metro da cidade - assim como, desde Março, na Carris, em Lisboa -- na fiscalização de títulos de transporte, sendo também a empresa que faz a segurança da Academia do Sporting em Alcochete, não respondeu à pergunta. Outras duas questões ficaram sem resposta, a saber: "Testemunhas afirmam que além de ter perpetrado a agressão o vosso funcionário também chamou "preta" à jovem e a uma companheira e disse-lhes "volta para o teu país". A confirmar-se esta conduta, que consequências prevê a 2045?"; "Que consequências preveem as normas internas da 2045 num situação de agressão perpetrada por um funcionário?"

O DN contactou também, via Facebook, um funcionário da 2045 que testemunhas identificam como o "pica" em causa, perguntando se era o indivíduo envolvido na ocorrência e se queria apresentar a sua versão. A pessoa, cujo rosto é muito semelhante ao mostrado em fotografias do agressor a que o DN teve acesso, leu a mensagem e bloqueou o emissor.