Limpeza do Tejo inicia-se em maio

Há 30 mil metros cúbicos de sedimentos, localizados em três locais distintos, no fundo do rio, que estão "a consumir oxigénio e a retirar-lhe capacidade"

Sónia Silva
Poluição do rio Tejo© PAULO CUNHA/LUSA

Há 30 mil metros cúbicos de sedimentos "que estão no fundo do rio Tejo [e] que têm de sair dali. São matéria orgânica concentradíssima e são sedimentos que só estão a fazer uma coisa: consumir oxigénio e retirar a capacidade ao Tejo que é suposto o rio ter", alegou o ministro do Ambiente Matos Fernandes.

Segundo Matos Fernandes, os sedimentos estão localizados em três sítios diferentes, nomeadamente entre a barragem do Fratel, frente ao cais do Arneiro e, sobretudo, junto do exutor das empresas de celulose, "num total de 17 mil metros cúbicos de sedimentos que têm de sair dali". A empreitada irá começar em maio.

Os sedimentos serão aspirados, passarão por uma máquina de floculação, sendo depois depositados em sacos onde ficam a secar durante três a quatro meses. Posteriormente, serão levados para aterro, informou.

O governante disse, ainda, que os sedimentos "não contêm metais pesados, nem fertilizantes, nada que seja perigoso, mas não podem estar dentro do rio a consumir oxigénio".

O ministro do Ambiente afirmou que os sedimentos da drenagem do rio Tejo vão ser colocados num terreno dentro da área protegida do Monumento Natural das Portas de Ródão, numa ação a iniciar no mês que vem.

"O estaleiro vai começar a ser montado a meio de abril e a obra deverá começar em meados de maio, apesar da proprietária estar em desacordo de verbas para a utilização do terreno", assegurou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

Segundo o ministro, o Governo apresentou uma proposta de 30 mil euros para a ocupação do terreno durante um ano, mas a proprietária do terreno não está de acordo, tendo apresentado uma contraproposta de mais de 60 mil euros".

Para resolver o diferendo, o Conselho de Ministros declarou o interesse público e nacional do terreno dentro da área protegida do Monumento Natural das Portas de Ródão que vai ser utilizado para a ação de drenagem no rio Tejo.

"Foi aprovada a resolução que reconhece o manifesto interesse público e nacional de requisitar a ocupação temporária do prédio denominado 'Barroca da Senhora', no âmbito da Operação Tejo 2018", segundo o comunicado do Conselho de Ministro onde é referida a decisão.

Recentemente, a associação ambientalista Quercus alertou para a intenção do Ministério do Ambiente de querer colocar os resíduos da ação de drenagem no rio Tejo dentro da área protegida do Monumento Natural das Portas de Ródão, no distrito de Castelo Branco, ação que considerou "ilegal".

Segundo os ambientalistas, a colocação de resíduos em terrenos dentro da área protegida daquele monumento natural configura uma situação de ilegalidade.