Dia do Combatente. Marcelo sublinha orgulho nos soldados portugueses

O Presidente da República considerou este sábado, na Batalha, que a entrega total dos militares não tem preço.

Paula Sofia Luz
Marcelo Rebelo de Sousa no Dia do Combatente, na Batalha© PAULO CUNHA/LUSA

Os militares que ontem povoaram o largo do Mosteiro da Batalha, na comemoração do Dia do Combatente e do centenário da batalha de La Lys, foram o alvo do Presidente da República, num discurso quase inteiramente a eles dedicado. Marcelo Rebelo de Sousa revelava algum cansaço na voz (acabara de regressar do Egipto), mas não se coibiu de falar para aqueles que ali estavam, mas também para os que estão em missão no estrangeiro, com destaque para a presença na República Centro-Africana.

"A vossa entrega total não tem preço", considerou o comandante supremo das Forças Armadas, sublinhando várias vezes o "orgulho que temos por vós". Marcelo falava na Batalha poucas horas depois da reação do Governo português ao ataque à Síria, na madrugada de ontem, realçando também ele a "compreensão para com as razões e a oportunidade da intervenção de três amigos e aliados, limitada a estruturas de produção e distribuição de armas estritamente proibidas pelo direito internacional e cujo uso é intolerável e condenável".

Numa cerimónia a que assistiu também o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marcos Perestrelo, entre as mais altas patentes do Exército, Armada e Força Aérea, as palavras do Presidente centraram-se nos "bravos soldados", recordando aqueles que foram mortos na Batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, e também nas ex-colónias. O Presidente sublinhou a coragem dos que lutaram na primeira Grande Guerra, a resistência de muitos milhares de soldados em terras desconhecidas e "em condições físicas e psicológicas muito adversas". De resto, aproveitou a ocasião para enaltecer o gesto do presidente francês, Emmanuel Macron, que em nome da República Francesa agradeceu pela primeira vez em 100 anos "aos nossos soldados".

Numa perspetiva mais abrangente, Marcelo acredita que "sem as Forças Armadas não teríamos sido o que fomos", enquanto país, à beira de nove século de história. E o povo? "Foi e é o melhor da nossa pátria", enfatizou o Presidente, precedendo o aplaudo de algumas centenas de populares que, como é hábito, emolduraram a cerimónia militar, no Dia do Combatente, que integrou também a 82.ª romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, onde Marcelo depositaria mais tarde uma coroa de flores. O túmulo está ali desde o dia 9 de Abril de 1921, na Sala do Capítulo, e guarda os corpos de dois soldados - um morto em Flandres e outro em Moçambique.

Também o tenente-general Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes (que abriu a cerimónia) evocou a memória dos que morreram na batalha de La Lys, um confronto que fez mais de sete mil baixas entre os soldados portugueses, contando com 400 mortos, feridos, e um número superior a seis mil prisioneiros. O responsável da Liga aproveitou para agradecer a Marcelo "toda a entrega e empenho que tem manifestado para com a causa dos combatentes, passando das palavras aos atos".