CDS quer voltar ao governo como "alternativa de direita"

No congresso de Lamego, Cristas assumirá que concorre sozinha às legislativas, mas espera formar um executivo de coligação

Pedro Vilela Marques
© TIAGO PETINGA/lusa

"Ser a primeira escolha dos portugueses"; "É na oposição que melhor se prepara a governação"; "Preparar um trabalho hoje para quando os portugueses nos quiserem a governar amanhã"; "O nosso grande desafio é dizer a todos os portugueses que podemos chegar lá". São 16 páginas de moção que a líder do CDS vai apresentar no congresso do partido em Lamego, no fim de semana de 10 e 11 de março, e em cinco delas, Assunção Cristas reforça uma ideia-chave: os centristas querem voltar ao governo e esperam mesmo ser a "alternativa de centro-direita ao governo" nas próximas legislativas, às quais concorrerão sozinhos.

Aliás, nas cerca de 6400 palavras da moção "CDS - um passo à frente", a sigla PSD surge uma única vez, para lembrar que os sociais-democratas votaram a favor da moção de censura contra o governo, e Cristas afirma mesmo que liderou "claramente a oposição" nessa ocasião. Mas não só. "O CDS esteve sempre na linha da frente a desmascarar a estratégia do governo, nos momentos-chave do Orçamento e do Programa de Estabilidade, mas também todas as semanas, todos os dias, nas comissões parlamentares, a chamar os ministros e secretários de Estado ao Parlamento", frisa Cristas.

Descolar do "partido dos ricos"

Num texto assumidamente pragmático e menos ideológico (Assunção Cristas acaba mesmo a dizer que está mais focada "na solução do problema e menos na ideologia") a líder do CDS aponta o caminho para um partido catch-all, que quebre as "amarras das cores de uma sigla partidária" e vá buscar votos fora do eleitorado centrista tradicional. "Este é o grande desafio do CDS: fiel aos seus princípios fundadores, retirar os rótulos que foram sendo colados injustamente ao nosso partido, e deixar que, de forma mais livre, sem preconceitos e pré-entendimentos, se possa olhar para o CDS de hoje pelas suas propostas e pelos seus protagonistas. Queremos um CDS que já não é visto como partido "dos ricos", "dos patrões" ou "dos quadros", mas é o partido de todos, de todas as idades, homens e mulheres, rapazes e raparigas, que valorizam mais o trabalho, o mérito, as ideias, o afinco, a credibilidade e, sobretudo, a imaginação, a força criativa e o entusiasmo", ilustra Assunção Cristas no ponto três da moção, intitulado "CDS: o partido do futuro".

Depois de começar o texto por elencar as áreas onde sente que as propostas do CDS se destacaram - desde a proteção dos idosos até ao regime de capitalização na Segurança Social, passando pela estabilidade dos currículos na Educação -, Cristas conclui o documento com a explicação da estratégia do partido para as próximas eleições, deixando no ar (talvez motivada pelo seu resultado em Lisboa nas autárquicas de outubro de 2017, onde conseguiu uma vantagem considerável em relação ao PSD) a vontade de liderar o bloco do centro-direita após as votações do próximo ano: "Devemos disputar as eleições europeias e as legislativas em listas próprias, com a profunda convicção de que assim estaremos a dar o nosso melhor contributo para Portugal ter uma alternativa às esquerdas unidas. Em 2019, ganha quem conseguir reunir um apoio parlamentar de 116 deputados. Queremos ser a primeira escolha dos portugueses e dar o máximo contributo para atingir esse número. Somos alternativa de centro-direita ao governo das esquerdas unidas. Tudo faremos para dar uma sólida contribuição para que o centro-direita possa atingir esse número e, após as eleições, entender-se para governar."

Leia aqui a moção na íntegra