'Apps' têm acesso ilegal a dados pessoais

Uma pesquisa da kaspersky, empresa de segurança da internet, diz que 83% das aplicações acedem a contactos, fotografias, mensagens e chamadas

DN
© REUTERS/MIKE SEGAR

"As pessoas acham que o telemóvel é delas e ninguém entra. Não é verdade. Entra mais gente do que em sua casa", alerta Clara Guerra, da Comissão Nacional de Proteção de Dados Pessoais (CNPD). Isto porque, de acordo com um estudo de uma empresa de segurança da internet, 83% das aplicações que se descarregam para o telemóvel ou tablet acedem a dados pessoais, como fotografias, contactos, mensagens e chamadas. Segundo noticia esta segunda -feira o Jornal de Notícias, 96% das apps conseguem estar ativas sem o utilizador saber. "Corremos um grande risco", salienta o diretor da Kaspersky, Alfonso Ramirez. "Pode haver falhas nos dispositivos, problemas com a bateria ou infeção por malware. As aplicações têm acesso a alguns dos dados mais pessoais que temos e os utilizadores desconhecem muitas vezes que esta informação está a ser partilhada".

A CNPD nota que mesmo quando as apps pedem autorização para a aceder a esses dados "fazem-no frequentemente de modo desajustado, em linguagem complexa, em termos longos para poder ser lifo num telemóvel, ou então de forma insuficiente, não facultando a informação básica de modo conciso para que o titular dos dados possa dar um consentimento consciente". Clara Guerra lembra que "pedir estes dados contraria a lei 67/98, segundo a qual os dados pessoais devem ser recolhidos para finalidades determinadas, explícitas e legítimas, não devendo ser posteriormente tratados de forma incompatível com essas finalidades". Será publicado um novo regulamento em 2018 o qual aprofundará esse controlo.