Ampla maioria socialista aprova programa de Governo à esquerda

Entre os militantes presentes, 163 votaram favoravelmente, dois abstiveram-se e sete votaram contra

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A Comissão Nacional do PS aprovou hoje com uma ampla maioria e sete votos contra a proposta de programa para um futuro executivo suportado também por Bloco de Esquerda (BE), PCP e PEV.

Entre os militantes presentes, 163 votaram favoravelmente, dois abstiveram-se e sete votaram contra. Segundo fonte partidária, houve 36 intervenções na discussão, além do secretário-geral, António Costa, das quais oito pronunciaram-se contra a orientação do líder.

No comunicado do final da reunião daquele órgão do partido é referido que se mantém a intenção de apresentar uma moção de rejeição do programa governamental do elenco liderado por Passos Coelho e Paulo Portas.

António Costa, discursando na reunião da Comissão Nacional do PS que apreciava a proposta de programa de um Governo socialista com apoio parlamentar do PCP, BE e "Os Verdes", salientou que nem tudo está fechado nas negociações e deixou uma advertência clara: "Não estou disponível, o PS não está disponível, para formar um governo que não tenha condições reais e credíveis de poder ser um governo de legislatura".

Para o líder socialista, "têm de estar reunidas um conjunto de condições que permitam estabilidade na perspetiva de uma legislatura. Essas condições estão em negociação".

Costa disse depois estar certo de que no domingo a Comissão Política e o Grupo Parlamentar do PS estarão em condições de "avaliar com rigor e exigência se essas condições [de estabilidade política] estão verificadas e mandatar a bancada socialista se deve ou não apresentar uma moção de rejeição ao Governo PSD/CDS e se deve ou não designar a formação de um executivo do PS no atual quadro parlamentar".

Na sua intervenção, o líder socialista deixou um elogio ao PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes", quer pelo "sentido de responsabilidade", quer pelo "espírito construtivo de compromisso".

O secretário-geral do PS considerou também serem tão legítimos os governos formados por coligação pré-eleitoral como os formados por acordos pós-eleitorais e tão legítimo o seu compromisso com a esquerda como o de Passos e Portas em 2011.

"Um governo pós-eleitoral que se faça agora na Assembleia da República é tão legítimo como o acordo de governo pós-eleitoral que se fez na anterior legislatura entre PSD e CDS", disse.

"Surpreendo-me com quem põe em causa os acordos pós-eleitorais, porque foram acordos desse tipo que permitiram a Mário Soares formar dois governos (1977/1978 e 1983/85), a Pedro Santana Lopes (2004/2005) e a Pedro Passos Coelho em 2011 formar executivo", referiu.

O dirigente socialista Álvaro Beleza, que falava à entrada para a Comissão Nacional do PS, considerou frágil a instável a solução de um Governo do PS, com PCP e Bloco de Esquerda ausentes do executivo, e defendeu um referendo aberto a simpatizantes do partido.

"Só se garante a estabilidade com todos os partidos no governo. Não há coligações nos regimes parlamentares da Europa sem os partidos que suportam o governo nesse mesmo executivo", declarou Álvaro Beleza, antes de vincar que o PCP nos últimos 40 anos e o Bloco de Esquerda nos últimos 15 anos "fizeram do PS o seu inimigo principal".

O PS reúne ainda domingo a sua Comissão Política, pelas 21:30, na sede nacional do largo do Rato. O PCP também terá o seu Comité Central reunido durante o dia, no edifício da rua Soeiro Pereira Gomes, e o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, dará uma conferência de imprensa pelas 19:00.