"Álvaro Cunhal apoiaria a atual solução política"

Albano Nunes, em entrevista ao DN, diz que o acordo com o PS é positivo para o povo.

Acabou de vir de Cuba, onde assistiu às cerimónias fúnebres do antigo presidente. Fidel de Castro continua a inspirar o PCP?
O que vi no grande comício, com mais de um milhão de pessoas, na Praça da Revolução, foi uma grande emoção e tristeza, mas também muita combatividade e confiança que se respirava entre o povo cubano. A inspiração de Fidel de Castro é universal, tem que ver com todo o mundo e, principalmente com os latino-americanos que lutam contra a hegemonia do imperialismo norte-americano. Cuba é uma fonte de inspiração e de ensinamentos. A quem diz que Fidel foi um ditador, respondo: ele vai passar à História como um grande libertador, um homem que lutou pela liberdade e independência do seu país, que construiu uma sociedade infinitamente mais livre que qualquer outra sociedade sul-americana.
Vai deixar o Comité Central, onde está desde 1974, neste Congresso. Acreditava que podia deixá-lo precisamente na altura em que há uma maioria de esquerda e o PCP viabiliza um governo PS?
Preparamos o nosso partido para estar pronto para todas as situações que se apresentem no desenvolvimento da sua luta. O meu partido luta há muitos anos por uma unidade de esquerda. Na altura do 25 de abril havia uma maioria aritmética entre o PCP e o PS. Houve um momento ou outro que estivemos quase à beira de um acordo, mas o PS fazia sempre opções pelo capital. Quanto aos protagonistas, não quero fazer esse tipo de juízos.
Álvaro Cunhal apoiaria a atual solução política?
Não vejo como poderia estar em desacordo. Naturalmente que o faria. Esta solução representa algo de positivo para os trabalhadores e para povo. Desejamos mantê-la, aprofundá-la e que vá o mais longe possível.

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