Alunos portugueses pela primeira vez acima da média da OCDE

Portugal teve os melhores resultados de sempre nos testes PISA, da OCDE, chegando aos 501 pontos em Literacia Científica, 498 em Leitura e 492 na Matemática

Num ranking dominado pelos países asiáticos, os alunos portugueses deram continuidade a uma evolução que tem sido constante desde a primeira participação, em 2000. Nos testes PISA 2015, cujos resultados são hoje divulgados, os estudantes nacionais chegam ao "top" 20, entre mais de 70 países - incluindo os 35 membros da OCDE - , nos domínios de Literacia Científica (17.º lugar) e de Leitura (18.º(, melhorando ainda a prestação na Matemática (22.º).

É a primeira vez, em 15 anos de participação nestes testes, que os estudantes nacionais conseguem ficar acima dos valores médios nos três domínios de avaliação, sendo que a Literacia Científica - área em destaque nos testes realizados no ano passado por mais de meio milhão de estudantes de todos os continentes - acaba por ser a cereja no topo do bolo. Nessa área, liderada por Singapura e com mais seis países asiáticos nos 10 primeiros, Portugal consegue ter o 12.º melhor desempenho entre os países europeus, ficando a uma distância considerável de, por exemplo, a vizinha Espanha.

"Portugal tem tido um percurso muito positivo", considerou Helder Sousa, presidente do instituto de Avaliação Educativa (IAVE), no prefácio da apresentação portuguesa dos resultados, hoje tornados públicos, onde sublinha que o país "integra um lote muito restrito de países da OCDE que evidenciaram uma progressão positiva, bastante positiva, ao longo das seis edições do estudo.

Só metade estavam no ano de escolaridade correspondente à idade

A principal nota negativa, no que respeita à prestação nacional, continua a ser o facto de uma percentagem significativa dos alunos portugueses sujeitos a estes testes não estarem no ano letivo que corresponderia à sua idade caso nunca tivessem chumbado. Um aspeto que, diz Helder Sousa na mesma nota introdutória, "não deixa de condicionar negativamente os resultados médios nacionais".

Isto porque os testes PISA têm a particularidade de avaliar alunos de uma determinada idade - 15 anos -, independentemente do ano de escolaridade que estes frequentam. O "ano modal", no sistema educativo nacional seria o 10.º ano de escolaridade. No entanto, segundo o IAVE, "está pouca acima dos 50%" a percentagem dos participantes nacionais que estavam efetivamente nesse ano letivo. "cerca de 22%" frequentavam o 9.º ano e os restantes estavam divididos pelo 7.º, 8.º e por percursos curriculares não regulares.

Por outras palavras, se as taxas de retenção nacionais correspondessem às médias da maioria dos países desenvolvidos, a prestação dos alunos portugueses passaria de acima da média para francamente positiva.

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