Alqueva é um exemplo. PS vai lembrar vantagens do investimento

Nas jornadas parlamentares que vão ter lugar esta segunda e terça-feira o PS vai a Beja e Évora falar sobre coesão territorial

Durante estes dois dias, os deputados socialistas vão ainda apresentar o Alqueva como exemplo de um projeto que combateu a desertificação. "O Alqueva é um símbolo de um investimento decidido com arrojo e com sentido de médio prazo", declarou o líder parlamentar socialista, Carlos César, num elogio ao projeto concretizado no primeiro Governo socialista liderado por António Guterres (1995/1999), no qual João Cravinho tutelou a pasta das Obras Públicas.

Numas jornadas parlamentares que têm como tema central "o desenvolvimento regional no contexto das alterações climáticas", Carlos César considerou que o projeto do Alqueva "é um dos investimentos mais relevantes realizados no país dirigido especificamente ao combate à desertificação".

"É hoje um empreendimento que permite uma distribuição de água por vários distritos, numa extensão superior a 10 mil quilómetros quadrados. Houve a consciência de que este investimento responderia a problemas ainda atuais como a seca, a desertificação e os problemas de desequilíbrio provocados por fatores climáticos", defendeu o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Como explicação para a escolha de Beja e Évora para mais umas jornadas parlamentares do PS, Carlos César advogou que, desde o início da legislatura, a prioridade dos socialistas neste tipo de iniciativas políticas foi sempre o interior do país.

"O Grupo Parlamentar do PS tem procurado centrar as suas atenções nas problemáticas ligadas ao desenvolvimento do interior, ou de regiões periféricas, casos dos Açores, Guarda, Castelo Branco, Vila Real ou Bragança", disse.

Agora, nos distritos de Beja e Évora, Carlos César manifestou-se confiante que esta iniciativa dos socialistas "permitirá um diálogo e um aprofundamento do conhecimento em função dos contactos a desenvolver com entidades locais, com empresas dos setores industrial, agrícola ou comercial, não esquecendo as áreas do turismo e do artesanato".

"Tal dar-nos-á uma melhor leitura da realidade económica do Alentejo e da expressão que essas atividades têm no emprego e nos fatores de fixação. Temos um problema estrutural no país que se relaciona com a estrutura demográfica, designadamente com uma litoralização excessiva", apontou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Para Carlos César, o Alentejo é mesmo um exemplo claro que reflete o problema das assimetrias regionais existentes em Portugal.

"O Alentejo representa cerca de 35% da área do território nacional, mas apenas 7% da população residente. O nosso esforço é aprofundar todos os fatores que contribuem para a coesão territorial. Centraremos muito os nossos trabalhos junto de um empreendimento que consideramos singular e de alto valor no combate à desertificação: O Alqueva", acentuou.

Na segunda-feira, primeiro dia de jornadas parlamentares, os deputados socialistas irão dividir-se em três grupos em cada um dos dois distritos de Évora e Beja.

No distrito de Évora, os deputados do PS estarão nos concelhos de Montemor-o-Novo, Vendas Novas, na capital do distrito, Borba, Redondo, Vila Viçosa, Alandroal, Alcáçovas, Viana do Alentejo, Portel, Mourão e Reguengos de Monsaraz.

No distrito de Beja, os parlamentares socialistas farão visitas de trabalho nos concelhos de Serpa, Barrancos, Mértola, Vidigueira, Alvito, Ferreira do Alentejo, Aljustrel, Odemira, Ourique, Castro Verde e Almodôvar.

Secretário-geral do PS, António Costa, encerra jornadas parlamentares na terça-feira

Na segunda-feira, o presidente do grupo parlamentar do PS reúne-se, pelas 10:30, com a administração da EDIA- Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, na sede da empresa em Beja.

Depois, ao fim da manhã, Carlos César irá receber, na Câmara Municipal da cidade, representantes do movimento "Beja merece mais", cujos membros, em maio passado, manifestaram-se junto à Assembleia da República.

O segundo dia de jornadas será dedicado ao debate sobre o tema "Desenvolvimento regional no contexto das alterações climáticas" que contará com intervenções do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, do presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Jorge Miguel Miranda, e do professor Mário Carvalho da Universidade de Évora.

Na terça-feira, o secretário-geral do PS, António Costa, encerra as jornadas parlamentares com um discurso de fundo previsto para as 12:45.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.