Alegre acusa Santos Silva de prepotência

Histórico socialista critica posição do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o Acordo Ortográfico

Manuel Alegre e Augusto Santos Silva foram em tempos aliados dentro do PS - o atual MNE apoiou em 2004 a candidatura do histórico socialista a líder do partido, contra Sócrates - mas agora estão de candeias às avessas. Motivo: o Acordo Ortográfico (AO). "Como diria Salgado Zenha, unicidade e autoritarismo andaram sempre de mãos dadas", disse ontem Alegre ao DN.

Na terça-feira, o Alegre integrou uma delegação da Academia de Ciências de Lisboa (ACL) que foi ao Parlamento (comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto) defender que o AO deve ser "melhorado" porque há situações que estão a gerar "grande confusão".

Na resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, negou a pretensão, dizendo que em Portugal o AO é basicamente um processo encerrado. "O momento em que estamos do processo de implementação do acordo ortográfico é este momento: para países como Portugal, Brasil e outros, está em vigor; noutros países que o aprovaram, o processo de ratificação ainda está em curso", disse o chefe da diplomacia. Acrescentando que "nada está isento nem de crítica nem de possibilidade de melhoria", Santos Silva acrescentou: "O acordo ortográfico está em vigor em Portugal, é um acordo internacional que obriga o Estado português."

Numa declaração ao DN, o histórico socialista afirmou que a declaração do seu antigo aliado representou "um acto prepotente" e, além disso, uma "falta de respeito pela Academia das Ciências,órgão conselheiro do Governo sobre as questões relativas à língua e que nunca , nessa qualidade, foi ouvida sobre o AO."

Segundo Alegre, "a Academia apresentou um conjunto de sugestões, meramente indicativas, tendo em vista melhorar ambiguidades e confusões". Mas "a esta atitude de abertura e diálogo o ministro respondeu de forma desabrida e autoritária". "A língua não tem donos. E não precisou de nenhum acordo imposto por via burocrática ou diplomática para ser hoje uma das mais faladas do Mundo", considerou ainda. Perguntando, de seguida: "A opinião dos escritores não conta? Nem a dos académicos, professores, profissionais da escrita e cidadãos que de múltiplas formas se têm manifestado contra o acordo? Será que a Guiné-Equatorial pesa mais do que os sábios argumentos de Vasco Graça Moura? Será que, nesta matéria, a opinião do PR também não risca?"

Recordando que, enquanto deputado do PS, votou contra o AO, Alegre sublinhou no entanto que a iniciativa de Artur Anselmo de Oliveira Soares (presidente da ACL) "constitui um contributo para um diálogo que o Governo não deverá ignorar".

As propostas que a ACL levou ao Parlamento incidem desde logo em palavras que, sendo distintas, passaram a prestar-se a confusões com a nova ortografia: "Por exemplo, o exemplo nas palavras agudas, o "para" e o "para" [antes:pára]". "A criança lê, não sabe se está parada ou se vai "para", ilustrou o académico Martim Albuquerque na audição com os deputados

As consoantes mudas - uma das questões mais controversas da nova ortografia - devem também, segundo os membros da ACL, regressar em palavras como "dececionado (decepcionado)" e "intercetar (interceptar)", mantendo-se a supressão em palavras como "atual".

Também formas verbais como "creem", "veem" e "leem" devem, defendem, recuperar os acentos circunflexos, voltando a escrever-se "crêem", "vêem" e "lêem".
Nessa audição, Alegre perguntou aos deputados: "Vamos ficar no erro e no disparate?"

Ler mais

Exclusivos

Premium

Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.