Família de refugiados pode vir a ser recebida numa aldeia de Rio Maior

Responsável da associação de jovens H2O conta com o apoio da escola secundária de Rio Maior para os jovens aprenderem a língua portuguesa

A aldeia de Arrouquelas, em Rio Maior, no distrito de Santarém, prepara-se para receber uma família de refugiados, num processo liderado pela associação de jovens H2O, aproveitando a sua experiência em programas de mobilidade internacional de jovens.

Ainda sem data para a chegada da família de quatro ou cinco pessoas, a H2O já providenciou uma casa, preparou os 11 jovens de seis países que se encontram a viver na aldeia e a trabalhar em instituições sociais locais, durante um ano, ao abrigo do Serviço de Voluntariado Europeu (SVE), e promoveu uma reunião com a população.

Uma centena de pessoas compareceram na sede da Associação Recreativa e Cultural de Arrouquelas ao final da tarde de domingo para ouvirem Alexandre Jacinto, o presidente da H2O, e Mário Rui André, da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), e esclarecerem dúvidas.

"Já sabem quem vem?", "Como vamos ajudá-los a respeitar a nossa cultura?" ou "O que sabe a família sobre a nossa aldeia?" foram algumas das questões colocadas pela população, na sua maioria mulheres e idosos.

"Se fossemos nós também gostávamos que nos acolhessem", dizia uma das moradoras em resposta à dúvida manifestada por outra, que logo mostrou abertura para "dar uma oportunidade".

Sem esconder que o processo não é isento de dificuldades, Mário André frisou que no primeiro mês a presença da família na aldeia "será novidade", mas, com a integração das crianças na escola e dos adultos no mercado de trabalho, "ao fim de um ano serão como qualquer outra família".

O responsável apontou como fundamental, numa primeira fase, além da colocação das crianças na escola, o apoio na aprendizagem da língua, para a qual a H2O contará com a ajuda da escola secundária de Rio Maior, na doença e na procura de emprego.

Alexandre Jacinto referiu os contactos já mantidos com diversas entidades, como a associação empresarial, e o apoio institucional da Câmara Municipal de Rio Maior e da Junta de Freguesia de Arrouquelas, que estiveram igualmente presentes no encontro com a população, além do Instituto Português do Desporto e da Juventude, da Secretaria de Estado e da agência nacional do programa Erasmus +.

"Só falta chegar a família", declarou, mostrando-se convicto de que a convivência da população com os jovens estrangeiros que desde 1999 passam pela aldeia no âmbito dos projetos de mobilidade internacional irá facilitar o processo.

"Possivelmente iremos receber uma daquelas famílias que tentaram encontrar outras oportunidades na Alemanha e que agora estão a ser encaminhadas novamente para Portugal, porque estão enquadrados no programa português de apoio aos refugiados e é cá que terão de ser acolhidos", explicou, adiantando que a associação será informada da sua chegada com uma semana de antecedência, não sabendo até lá nada mais sobre as pessoas que serão acolhidas.

Alexandre Jacinto referiu que os jovens voluntários europeus podem ajudar igualmente na integração da família, pois alguns são muçulmanos e a proximidade cultural pode ser um elemento facilitador, além da mensagem que passam da sua presença numa "comunidade que recebe bem".

O dirigente destacou a vertente pedagógica deste acolhimento, pois, sendo "um tema sensível para as comunidades, não só em Portugal mas a nível da Europa", exige um trabalho de preparação junto da população mais velha, além de permitir "passar da teoria à prática" aos jovens da associação, que "ao longo dos anos têm ouvido falar do tema, participando em fóruns e em formações e que agora vão ter o projeto nas mãos".

Realçando o facto de a liderança do projeto ter sido entregue a uma associação juvenil, Alexandre Jacinto referiu a importância de replicar a experiência por outras organizações juvenis do país, já que "há muitas a fazer um trabalho social excelente no desenvolvimento de comunidades e é importante aproveitar esse 'know-how', pois são jovens viajados, que participam em projetos internacionais", o que facilita o acolhimento destas famílias nas comunidades.

Mário André frisou o entendimento da PAR de que as famílias devem ser acolhidas no seio da comunidade por todo o país, em detrimento da concentração num espaço, levando a uma aprendizagem mútua e a um esforço de conhecer e respeitar o outro e a sua cultura.

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