Advogada nega contato de ex-professor de Sócrates com mulher de Santos Silva

Num curto comunicado, Paula Lourenço garante ser falso que Inês do Rosário alguma vez tenha falado com António José Morais sobre a Operação Marquês

É falso que António José Morais, ex-professor de José Sócrates, tenha alguma vez falado com Inês do Rosário, mulher do empresário Carlos Santos Silva, preso preventivamente, sobre o processo "Operação Marquês". Esta posição foi expressa, esta quita-feira, por Paula Lourenço, advogada do amigo de José Sócrates, num curto comunicado enviado às redacções, depois de António José Morais ter declarado que a mulher de Santos Silva lhe disse que o marido estava a ser "demasiado solidário com José Sócrates".

"Atentas as notícias hoje vindas a público, cumpre esclarecer que é falso que a minha constituinte Inês do Rosário alguma vez tenha falado com António Morais sobre o processo em que o marido, Carlos Santos Silva, é arguido. As autoridades retirarão as conclusões e adoptarão as providências de domínio processual que entenderem necessárias", refere o comunicado de Paula Lourenço.

Ontem, o DN já tinha adiantado que António José Morais tinha sido constituído arguido no Departamento Central de Investigação e Ação Penal por suspeitas de pressões junto de familiares de Carlos Santos Silva, empresário da Covilhã, preso preventivamente no processo, para que este prestasse declarações no processo "Operação Marquês" de forma a incriminar José Sócrates. Este processo nasceu na sequência de uma queixa de Paula Lourenço, advogada de Santos Silva, que denunciou contactos feitos por António José Morais. Este, ao DN, confirmou ter falado com algumas pessoas, mas negou qualquer tipo de pressão.

"É tudo mentira. Percebo que a advogada de Carlos Santos Silva, de quem sou amigo, faça tudo para defender o seu cliente, mas é tudo mentira. Sou amigo de Carlos Santos Silva e espero que ele ultrapasse o problema de forma legal e com ações legítimas", disse esta tarde ao DN António José Morais.

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