Adiada decisão sobre julgamento de Vale e Azevedo

A notificação tardia de dois assistentes no julgamento de Vale e Azevedo, acusado de alegado peculato de quatro milhões de euros do Benfica, adiou, para a próxima terça-feira, a decisão do tribunal em continuar ou suspender as sessões.

A 3.ª Vara Criminal teve dificuldades na notificação dos dois assistentes, para se pronunciarem sobre requerimento apresentado por Vale e Azevedo a 18 de dezembro, com o intuito de cessar o julgamento.

Vale e Azevedo, que também é indiciado de branqueamento de capitais e falsificação de documento neste processo, alega que "não pode ser sujeito a procedimento penal, por infração diferente e praticada em momento anterior" à sua extradição para Portugal, a 12 de novembro.

Os dois assistentes no processo, sócios do Benfica, foram notificados apenas na segunda tentativa, a 4 de janeiro, depois das férias judiciais, pelo que o prazo de 10 dias para se pronunciarem termina esta semana, significando que a decisão do coletivo de juízes de continuar ou não o julgamento, prevista para hoje, foi adiada.

Caso continuem as audiências na 3.ª Vara Criminal, cujo coletivo é presidido por José Manuel Barata, a advogada de Vale e Azevedo, Luísa Cruz, já anunciou que impugnará o acórdão.

A audiência de hoje foi preenchida com a inquirição a dois inspetores-chefe da Polícia Judiciária, que estiveram envolvidos na investigação a Vale e Azevedo.

Eurico Cruz lembrou a transferência do futebolista Amaral para a Fiorentina e disse que, dos 3,5 milhões de dólares pagos pelo clube italiano, dois milhões eram destinados ao Benfica.

"Os dois milhões não constavam da contabilidade do Benfica e da conta-corrente que Vale e Azevedo dizia que tinha", disse.

O inspetor-chefe Sacramento Monteiro também disse que se tentou identificar o circuito dos dois milhões de dólares, mas que se apurou apenas terem "350 mil dólares sido transferidos para a sociedade de advogados de Vale e Azevedo e 500 para uma conta na Suíça" de que o antigo presidente do Benfica era o titular.

"A outra parte do dinheiro não se sabe", afirmou, recordando ainda que existiram dois contratos de venda de direitos desportivos de Scott Minto para o West Ham, um do clube inglês, que "era verdadeiro", e o do Benfica.

O agente da polícia de investigação sublinhou que, no contrato do Benfica, "foi omitido parágrafo de 500 mil libras", quando o valor de venda dos direitos desportivos, "que era verdade, foi de 1.250 libras".

Sacramento Monteiro afirmou que as 500 libras se destinaram "ao pagamento da terceira tranche do iate Lucky Me" e confirmou que Vale e Azevedo adquiriu o barco.

Referiu-se ainda à transferência de Gary Charles para o West Ham, garantindo que "as 1.200 libras não estavam contabilizados no Benfica e que o montante foi depositado em conta da sociedade de advogados de Vale Azevedo".

Presidente do Benfica de 1997 a 2000, Vale e Azevedo comunicou ao tribunal a intenção de não comparecer neste julgamento, ao abrigo de prerrogativa, no âmbito da extradição de Londres para Portugal.

O antigo presidente do Benfica aguarda a decisão da liberdade condicional no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra.

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