Adelino Maltez avança com candidatura à Maçonaria

Grupos internos movimentam-se tendo em vista a sucessão de Fernando Lima, grão-mestre em fim de segundo mandato.

A data está marcada. No segundo sábado de junho de 2017 - por coincidência 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades -, a liderança do Grande Oriente Lusitano (GOL) irá a votos.

Na mais antiga e influente obediência maçónica portuguesa, já há pelo menos uma certeza: o professor universitário (de Ciência Política) Adelino Maltez, antigo militante do CDS, fundador depois do Partido da Nova Democracia (o partido criado por Manuel Monteiro quando deixou o CDS), homem que se define como "republicamente monárquico", será candidato a grão-mestre. E sê-lo-á quer o atual chefe da obediência, o advogado Fernando Lima, da loja Universalis, se recandidate quer não.

Lima - que o DN tentou, em vão, contactar - já lidera o GOL desde 2011. Em 2014 foi reeleito, com cerca de 60% dos votos. Venceu o economista Daniel Madeira de Castro, da loja Acácia, e o historiador Francisco Carromeu, da loja Madrugada. Nessa altura foi referida a hipótese de Adelino Maltez (também da loja Universalis) avançar - mas não confirmou. Contactado pelo DN, Maltez foi lacónico: "Sobre esse assunto não presto declarações. Estou vinculado à discrição."

Ainda faltam sete meses para as eleições mas os "irmãos" já se movimentam. Há precisamente uma semana (sexta-feira, 25 de novembro) ocorreram dois jantares em Lisboa juntando dois grupos diferentes: um, na Valenciana (Campolide), em torno de José Adelino Maltez, com cerca de 80 participantes e que veio na sequência de outros jantares realizados em Coimbra, no Porto ou em Guimarães; outro no Palácio Braacamp (zona do Príncipe Real), de "irmãos" mais próximos de Daniel Madeira de Castro (de quem se diz que poderá ser de novo candidato a grão-mestre).

O encontro do Palácio Braamcamp foi mobilizado por correio eletrónico e pretendeu ser o primeiro evento de um ciclo intitulado "Refletir e Construir". Segundo o e-mail que seguiu, da iniciativa foi dado "prévio conhecimento" ao grão-mestre. Convocada por "um conjunto" de maçons "preocupados com o futuro próximo", esta foi uma "reunião fechada" mas "não ritual" para o qual se convidavam os "irmãos" que receberam o e-mail mas também outros que aqueles quisessem trazer.

A convocatória elencava uma série de temas para debate - um debate em que se pretendia que houvesse "liberdade absoluta de intervenção, ainda que limitada no tempo". "Regularidade maçónica e reconhecimento", "segredo e sigilo maçónicos", "construção do templo interior e exterior", "relações institucionais e fraternais" entre as diferentes obediências; "a mulher na maçonaria", a possibilidade da existência obediências maçónicas transnacionais, "rito, ritual e administração", "História e verdade na Maçonaria" ou "que maçonaria num futuro próximo" foram alguns dos temas balizados como sendo passíveis de discussão.

E dizia ainda: "O objetivo é que tenhamos a oportunidade de refletir no seguimento do jantar, e o que poderemos começar a construir a partir de 2017, no pressuposto que ambas as ações, refletir e construir, só serão viáveis se forem abrangentes e resultantes de uma participação coletiva."

A maçonaria está sempre envolvida em polémicas mas as mais recentes não envolvem o Grande Oriente Lusitano mas sim uma outra obediência, a Grande Loja Legal de Portugal (GLLP). Foi dentro desta obediência, na loja Mozart, que Nuno Vasconcelos, patrão do grupo de media Ongoing, conheceu Jorge Silva Carvalho, então chefe do SIED (a secreta externa). Silva Carvalho passou a Nuno Vasconcelos informação classificada e foi por isso condenado por violação de segredo de Estado.

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