Açorianos são mais jovens, mas vivem menos tempo

Um projeto Pordata traça o perfil da população dos Açores, que revela ser mais jovem do que a média nacional

A população dos Açores é mais jovem do que a média nacional, embora esteja a envelhecer, mas tem uma esperança média de vida menor, segundo dados do projeto Pordata.

O número de idosos por cada 100 jovens nos Açores passou de 60 para 84, entre 2001 e 2016, no entanto, o índice de envelhecimento em Portugal é de 149.

São Miguel é a ilha menos envelhecida, com 65 idosos por 100 jovens, enquanto a ilha das Flores, no extremo oposto, com 151, é a única acima da média nacional.

Todas as ilhas, à exceção do Corvo, registaram um crescimento do índice de envelhecimento e, excluindo São Miguel e Santa Maria, todas têm mais idosos do que jovens.

Os dados integram a publicação "Retrato dos Açores", apresentada hoje, em Ponta Delgada, pelo Pordata, projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para assinalar o Dia de Portugal, que se comemora no domingo.

Os dados são divididos pelas nove ilhas e pelos 19 municípios dos Açores, sendo apresentados em 13 áreas: população; habitação e condições de vida, educação; saúde; cultura; empresas, pessoal e produto; emprego e mercado de trabalho; proteção social; finanças autárquicas; ciência e sociedade de informação; participação eleitoral; ambiente, energia e território; e turismo.

A esperança média de vida à nascença dos açorianos registou um crescimento de 3,7 anos, entre 2001 e 2015, situando-se nos 77,3 anos, mas manteve-se abaixo da média nacional (80,6 anos), que aumentou mais no mesmo período de tempo (3,9 anos).

Em 2016, contavam-se 245.525 habitantes nos Açores, concentrando-se mais de metade na ilha de São Miguel, cerca de 138 mil.

São Miguel, a maior ilha do arquipélago, tinha 148 vezes mais residentes do que a ilha mais pequena, o Corvo, com 460.

Segundo os dados recolhidos pelo projeto Pordata, em 1960 os casamentos não católicos nos Açores não ultrapassavam os 10%, mas em 2017 a percentagem de casamentos fora da igreja atingia os 70%, superando os números nacionais (66%).

O poder de compra no arquipélago, em 2015, era inferior em cerca de 15% ao do país, enquanto a taxa de inflação, em 2017, era superior em cerca de 0,5 pontos percentuais.

Nos Açores, sete em cada 10 pessoas não completou o ensino secundário e a taxa de abandono escolar (28%) é mais do dobro do que a verificada no país (13%).

Por outro lado, a percentagem de pessoas com ensino superior quadruplicou entre 1998 e 2017, situando-se nos 13%, inferior em quatro pontos percentuais à média nacional.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Açores (15.995 euros) era, em 2016, inferior ao nacional (17.934 euros) e, exceto Faial e Corvo, todas as ilhas importavam mais do que exportavam.

O setor terciário assume um peso maior no arquipélago (74%), em comparação com o todo nacional (69%), bem como o setor primário, em que a diferença é de 11 para 6%.

Em 2017, a taxa de desemprego era igual à do país (9%), mas o número de beneficiários de subsídio de desemprego, que aumentou em todas as ilhas, exceto no Corvo, era superior, atingindo os 5,1%, quando a média nacional era de 3,4%.

Já o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção diminuiu em todas as ilhas, à exceção de São Miguel, entre 2009 e 2017, mantendo-se ainda assim acima da média do país, com uma diferença de 11,6 para 3,2%.

Em 2016, os Açores tinham 179 estabelecimentos hoteleiros, mais do dobro dos existentes em 2009, com o Pico a registar o maior aumento, de quatro para 23.

As receitas totais das dormidas por hóspede, nesse ano, foram, no entanto, inferiores à média nacional (106,6 euros), exceto na ilha de São Miguel (113,8 euros).

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