Acesso mais fácil a bolsas para combater abandono

O presidente do Conselho Superior dos Institutos Superiores Politécnicos defendeu hoje que o Governo deve facilitar temporariamente o acesso a bolsas de estudo para diminuir o número crescente de abandonos no ensino superior.

"Em momentos excecionais são necessárias medidas excecionais", afirmou Joaquim Mourato, referindo que o país, a economia e as famílias atravessam "um momento excecional e, por conseguinte, exige-se da parte do Governo medidas também excecionais de maior apoio, em que as bolsas possam ter uma maior abrangência".

A necessidade desta medida, que o presidente do Conselho Superior dos Institutos Superiores Politécnicos (CSISP) diz já reclamar há muito, aumenta perante as conclusões de um inquérito patrocinado pela Comissão Europeia que será hoje apresentado em Bruxelas.

De acordo com a análise, Portugal tem uma das mais altas percentagens de jovens que queriam prosseguir os estudos, mas não têm possibilidade de os pagar (38%).

"O que este estudo me traz de novo é a nossa posição no contexto europeu e que é aflitiva. De facto encabeçarmos a lista nesse domínio é péssimo para todos nós", considerou Joaquim Mourato, sublinhando que já tinha a perceção desta tendência.

"Nós, que vivemos dentro das instituições no dia-a-dia, assistimos com grande frequência ao abandono [do ensino] pelos estudantes, apesar de todos os esforços que vamos tendo e medidas que vamos implementando no interior das instituições", admitiu, adiantando que "a larga maioria [dos que desistem dos estudos superiores] é por dificuldades financeiras" e que se regista também "muito incumprimento no pagamento das propinas".

Por isso, defendeu o presidente do CSISP, é necessário baixar "de forma excecional" as condições de acesso a bolsas de estudo, nomeadamente no que se refere ao rendimento mínimo 'per capita'.

"Há muitos estudantes que não acedem à bolsa mas que vivem em grandes dificuldades. E há ali uma franja -- que são milhares -- que, se as condições de acesso à bolsa baixassem, entravam nesse apoio e [isso] poderia ser condição suficiente para continuarem no ensino superior", afirmou.

Esta é uma condição essencial para, segundo Joaquim Mourato, evitar "o pior que um país" pode ter: "Um conjunto muito significativo de jovens que não estuda nem trabalha."

O estudo, intitulado "Educação para o Emprego: Pôr a Juventude Europeia a Trabalhar", incidiu em 5.300 jovens, 2.600 empregadores e 700 instituições educativas de oito países da União Europeia: França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

De acordo com a análise, estes países têm perto de 75% do desemprego jovem na União Europeia a 28.

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