A primeira escola profissional do país

Nos últimos anos, a Escola Tecnológica Artística e Profissional de Pombal cresceu e multiplicou-se. Do tempo da cerâmica restam apenas painéis nas paredes.

Numa oficina quase exclusivamente ocupada por rapazes, é uma rapariga que domina a técnica: prende o cabelo, abotoa a bata cinzenta e testa todos os conhecimentos que aprendeu ao longo dos últimos três na ETAP - Escola Tecnológica Artística e Profissional de Pombal. Quando sair, depois do estágio, há de ser técnica de transformação de polímeros, um dos cursos que se destacam atualmente naquela que foi a primeira escola profissional do país. Andreia Araújo, 19 anos, nunca tinha ouvido falar daquilo. "Mas percebi que era um daqueles cursos que teriam mais saída profissional e matriculei-me. Não estou nada arrependida. Gosto muito do que fazemos", sorri, enquanto mostra ao DN como o que faz pode ser útil para a indústria de moldes e plásticos, na manutenção das máquinas e outras especialidades. Em maio vai estagiar para uma grande empresa da região, e acalenta a expectativa de conseguir ficar, com emprego. É bem provável. Dos oito cursos profissionais ministrados na escola, há alguns que são "ofertas únicas na região onde nos inserimos", conta Jorge Vieira da Silva, diretor daquela que foi a primeira escola profissional do país. "A Eletromecânica, por exemplo. Entre Coimbra e Caldas da Rainha não existe mais nenhuma escola com esta oferta. O mesmo acontece com o curso de técnico de transformação de polímeros, programação e maquinação (CNC)", sublinha aquele responsável, certo de que a escola está a desempenhar a sua principal missão: "Ser útil para o meio onde está inserido, quer para as empresas - para que possa fornecer pessoas qualificadas, e com isso potenciar que as mesmas sejam competitivas - quer para os alunos que nos procuram." Ao todo, entre os cursos profissionais e os de educação e formação, a ETAP alberga 420 alunos (oriundos de 18 concelhos do país) naquele edifício situado no coração do Parque Industrial Manuel da Mota, construído de raiz no final dos anos 90, quando a escola contava já com dez anos de atividade. Até então, ocupava a sede de uma coletividade na aldeia da Charneca, na periferia da cidade de Pombal.

Adeus cerâmica, olá mundo

No Portugal de 1989 havia uma indústria que se destacava naquele concelho da região centro e no país: a cerâmica. Ninguém estranhou por isso que aquele fosse um dos que cursos mais procurados na ETAP, por forma a dar resposta à necessidade do meio empresarial. À volta da cidade, nos dois parques industriais, nasciam fábricas e cresciam empresas, e por isso notava--se a falta de técnicos de gestão, outro cartão-de-visita no rol de cursos que inauguraram a escola. Mas o mundo mudou muito nestes 28 anos. Desse tempo, sobram apenas algumas obras dos alunos que marcaram os primeiros anos da escola, que há muito deixou de ministrar esse e outros cursos. As fábricas de azulejos fecharam, dando lugar a outra realidade. "Quando olhamos para as solicitações que temos hoje da indústria, percebemos que a escola tem de se adaptar ao que tem sido o desenvolvimento do mercado de trabalho, adequando a oferta de cursos." Nesse cruzamento de interesses, todos cresceram. "No espaço de três anos passámos de 219 para 420 alunos. Isto não é fruto de nenhuma aposta facilitista", garante Jorge Vieira da Silva, há três anos ao leme da direção. Destaca a importância dos estágios "não só nas empresas da região, mas também no país e no estrangeiro", como testaram ainda agora os alunos que embarcaram para a Itália e para a Alemanha.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.