"A minha ida à Expo 98 foi uma abertura para o mundo em meu redor"

André Donas-Botto, 30 anos, arqueólogo, de São João da Pesqueira

Tinha 11 anos quando visitei a Expo 98. Aproveitámos as férias de verão, na Figueira da Foz, para dar um "saltinho" a Lisboa e visitar a Expo, tal como me tinha sido prometido. Já praticamente todos os meus amigos tinham ido à exposição, pois a Câmara Municipal de São João da Pesqueira ofereceu a visita à Expo a todos os alunos da Escola Básica de 2.º e 3.º Ciclo e Secundária local. No entanto, na altura não pude ir e fui retendo na minha imaginação tudo aquilo que me foi contado depois da visita dos meus amigos. Lá fui reclamando, reclamando, até que chegou o verão e lá fomos nós em direção à capital para finalmente eu ir à Expo 98!

Chegando lá a decisão foi sempre sumária: apenas visitar pavilhões sem fila! Foi o que fizemos, e, sinceramente, não me arrependo. Marco sobretudo três espaços na memória: o pavilhão da Holanda onde havia um esquema a mostrar como a rede de diques funcionava; o pavilhão do Egito, onde adquiri (vá, a minha mãe...) um papiro que ainda hoje guardo; e, por fim, a Fragata D. Fernando II e Glória. Estes dois últimos espaços despertaram ainda mais em mim o gosto pela história e de certa forma influenciaram a minha decisão de mais tarde me tornar arqueólogo.

No final do dia, antes de vir embora, lá bati novamente o pé e "forcei" a família a assistir ao espetáculo Aquamatrix. Lembro-me, como se tivesse sido ontem, do meu espanto ao ver aquela combinação de efeitos, luz e fogo.

No fundo a minha ida à Expo 98 foi uma abertura para o mundo em meu redor, ajudou-me a compreender como é grande o planeta e, através de todos as publicações sobre o tema (que na altura eu devorava), ajudou-me a dar os primeiros passos no estudo sobre a história de Portugal e o seu papel no mundo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.