A feira onde uma bagageira foi o expositor de um vestido de noiva

Para alguns vendedores foi um dia de convívio, para outros uma forma diferente de vender os seus produtos. Num parque de estacionamento, em Lisboa, os carros foram lojas por um dia

Ana Maria Mendes, 71 anos, conhece bem muitas das pessoas que ontem passaram pelo parque de estacionamento do Centro Comercial Fonte Nova, em Lisboa, para ver (e comprar) os objetos em exposição em mais de três dezenas de bagageiras de carros. Proprietária de uma loja de pintura em Benfica, é estreante na arte de vender em feira os produtos mais ou menos recentes que se acumulam em casa, na garagem ou numa arrecadação e que, no seu caso, vão desde o vestido de noiva que a filha usou no seu primeiro casamento a uma máquina de escrever que pertencia ao seu avô. "É um convívio", assegura, sorridente, como que a justificar a sua presença num evento que, ao ritmo de um DJ em permanência, contou também com vários veteranos da venda ambulantes e incluiu atividades como uma exposição de automóveis antigos e um workshop de reciclagem de roupa e sessões de massagens japonesas ao ar livre.

"Passei aqui, porque faço sempre uma caminhada e resolvi experimentar", descreve, revigorada, Paula Soveral, depois de beneficiar de alguns minutos de shiatsu, uma técnica terapêutica com origem no país do Sol Nascente. Aos 62 anos, recebe massagens com frequência e é, por isso, sem reservas que afirma que ali, sob a sombra das árvores, o serviço prestado é de qualidade... apesar do rebuliço provocado por quem passa em redor. "Não ouvi nada, não vi nada", garante, por volta das 12.00, já decidida a regressar pelas 16.00, a uma hora do encerramento da primeira edição da Feira da Bagageira no parque de estacionamento do Fonte Nova, organizada pelas juntas de freguesia de São Domingos de Benfica e de Benfica.

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