90 portugueses foram a cuba este ano para tratar os olhos

O fenómeno começou em 2006, depois de as autarquias terem tomado a iniciativa de ajudar doentes que esperavam há anos por cirurgias  e consultas. Mas as viagens a Cuba mantêm-se, porque ainda se espera  demasiado e nem sempre há tratamentos em Portugal", dizem os autarcas.  Ontem, o Ministério Público recebeu os relatórios sobre o caso Santa Maria.

Este ano foram tratados em Cuba mais de 90 portugueses, com as despesas totalmente cobertas pelas câmaras municipais. Mas há ainda mais 56 inscritos nas listas das autarquias. Quatro das cinco que têm protocolos com Cuba (Aljezur só enviou quatro doentes em 2008) continuam a alimentar os acordos, sobretudo na área da oftalmologia. Mas há quem precise de tratamentos sofisticados para problemas neurológicos ou de cuidados de reabilitação. Afinal, eles "tratam problemas sem resposta por cá e dão atenção aos doentes 24 horas por dia", diz Luís Gomes,.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, foi o primeiro a fazer protocolos com responsáveis municipais de Playa - cidade-satélite de Havana - em 2006. Nesse ano, identificou 150 casos de pessoas que necessitavam deste apoio. Algumas esperavam há cinco ou seis anos por uma operação às cataratas.

No ano passado, "enviámos 200 pessoas e este ano já mandámos mais 50", refere. Apesar de o número de doentes com cataratas ter diminuído, na sequência do programa desenvolvido pelo Ministério da Saúde, "há outras doenças como a retinose pigmentar, ou problemas que precisam de vitrectomias que têm sido tratados".

À oftalmologia juntam-se doentes da dermatologia, ortopedia ou para reabilitação. "Nesta área, há muito a fazer em Portugal. O sistema de saúde cubano é muito eficiente e de grande qualidade. Têm dedicação intensiva e constante aos doentes. Cá há demasiada preocupação com a rentabilidade e com os números".

Em Castro Marim, só este ano foram enviados oito doentes para Cuba, mas em nenhum dos casos para operar cataratas. "Os preços são mais baixos e o nível de qualidade é impressionante", diz fonte da câmara. Como as cirurgias chegam a custar "menos 50%, o avião e a estadia ficam cobertas", refere.

Já o Alandroal levou 58 doentes desde 2008, 18 dos quais este ano, refere o presidente da câmara, João Nabais. Mas é possível que "até ao final do ano levemos mais um grupo de 15 a 17 pessoas, embora tenhamos apenas seis inscritos para já. Estamos a ver se conseguimos um acordo com uma clínica cá". A maior parte dos casos são de problemas oftalmológicos. "Já mandámos uma criança com paralisia cerebral para ser reabilitada e temos outro caso para mandar em breve".

Alice Teixeira, da Câmara de Santarém, disse ao DN que, em Novembro, foram enviadas 12 pessoas para tratar os olhos, a que se juntaram mais 13 este ano (cataratas, estrabismo). "Neste momento, temos 50 inscritos, sobretudo idosos e carenciados, à espera de ir a Cuba. A oftalmologia está muito evoluída e os custos são mais baixos".

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