555 refugiados não quiseram ficar em Portugal

Governo faz uma avaliação "muito positiva" do programa de acolhimento de refugiados e continua empenhado em receber mais

Dos 1306 refugiados de guerra acolhidos em Portugal, desde final de 2015, houve 555 que não quiseram ficar no nosso país e abandonaram o programa com destino a outros países. "É sempre uma opção dos refugiados ficar ilegais noutros países", concluiu a ministra da Administração Interna, referindo-se ao facto de, quando saem de Portugal estes refugiados deixam de ter direitos de proteção.

Constança Urbano de Sousa falava numa conferência de imprensa, ontem à tarde, na Presidência do Conselho de Ministros, com o objetivo de fazer uma "avaliação" do programa português de acolhimento de refugiados. O encontro contou também com a presença do ministro adjunto, Eduardo Cabrita, Rui Marques, presidente da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), e Teresa Tito de Morais, presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR).

Foi a primeira vez que o Governo assumiu o número de abandonos - 555 - o que significa que desde o último balanço feito pelo DN, há 15 dias, mais 81 refugiados deixaram o nosso país. Eduardo Cabrita indicou que "há múltiplas razões" para o fenómeno que tem o nome técnico de "movimentos secundários", entre os quais, frisou o governante, "o quererem juntar-se às suas comunidades noutros países".

Em resposta à pergunta do DN sobre se foram já identificadas as causas da elevada taxa de abandono e se entre elas está a falta de acesso ao mercado de trabalho e académico, a ministra da Administração Interna acrescentou que "as motivações ainda estão a ser analisadas".

Constança Urbano de Sousa revelou que "está a ser investigada a possibilidade" destes abandonos terem sido "incitados" por uma rede criminosa que leva os refugiados a utilizarem Portugal como uma "plataforma" para irem para outros países. Ao que o DN apurou junto a fontes policiais que acompanham o fenómeno, nenhuma investigação ou abertura de inquérito foi comunicado ainda às forças e serviços de segurança que fazem parte da Unidade de Coordenação Anti-Terrorista (UCAT) e monitorizam o movimento dos refugiados no nosso país.

PSD e BE pedem avaliação

Na sequência da notícia do DN de há duas semanas, PSD e BE vieram exigir ao Governo uma avaliação do programa de acolhimento e identificasse as falhas no processo de integração que estão a influenciar a escalada das saídas.

Eduardo Cabrita está convicto que Portugal "continua a ser um país de referência em toda a Europa e reconhecido internacionalmente pela forma como se tem empenhado para responder a esta crise de refugiados, mobilizando sociedade civil, autarquias e várias instituições".

O ministro adjunto concorda que que "os movimentos secundários devem ser objeto de análise", destacando que "a decisão do Governo é manter o esforço que tem sido manifestado e a disponibilidade de continuar a receber mais refugiados". E Cabrita assinala como "muito positivo" que 38% dos refugiados já estejam a trabalhar ou em ações de formação profissional e 94% a aprender a língua portuguesa.

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