46% das crianças do 2º ano não conseguem saltar bem à corda

Alunos do 1º ciclo mostraram dificuldades nas expressões físico-motoras nas provas de aferição de 2017, revela relatório oficial

Saltar à corda remete-nos para os tempos de infância, dos recreios na escola. Mas apesar de ser uma atividade aparentemente fácil, as crianças demonstram dificuldades, segundo revelam os dados do relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

Quase metade dos alunos do 2º ano (46%), que realizaram as provas de aferição em 2017, não conseguiram fazer seis saltos consecutivos, prova prática na área de perícias e manipulações. "Os resultados ilustram a dificuldade", sublinha o documento do IAVE.

40% dos alunos não conseguiram realizar corretamente uma cambalhota para a frente

Os números demonstram que as crianças não adquiriram "o padrão motor do salto à corda, coordenando a rotação da corda com os saltos", lê-se no relatório. "Apenas 54 % completaram o conjunto de saltos sem interrupções".

31% das crianças tiveram dificuldades na participação de um jogo infantil de grupo

Na área de deslocamentos e equilíbrios, onde foram analisadas as ações correr, saltar, equilibrar-se e rolar, o desempenho dos alunos revelou que 40% não conseguiram realizar corretamente uma cambalhota para a frente, mantendo a direção e levantando-se com os pés juntos.

Perante estes dados, o IAVE refere que "sendo a execução correta da cambalhota o resultado de um processo formal de ensino-aprendizagem, pode inferir-se que a cambalhota à frente poderá ser objeto de maior atenção em sala de aula".

Nos jogos infantis, os resultados também demonstram problemas nas capacidades motoras dos alunos.

O exercício proposto aos alunos foi o jogo do "rabo da raposa", feito em grupo, e no qual os estudantes tinham de realizar ações de perseguição, como corrida, fintas, mudanças de direção e de velocidade. "66% dos alunos conseguiram ter sucesso. No entanto, destes alunos, apenas 12% conseguiram ajustar as suas ações de perseguição e esquiva, cumprir as regras definidas e alcançar o objetivo do jogo (tirar o maior número de lenços dos companheiros, sem perder o seu)."

Nesta tarefa, 31% das crianças revelaram dificuldades na participação do jogo infantil, cumprindo os requisitos do mesmo.

Estes dados levam o IAVE a defender que a aprendizagem dos jogos infantis poderá ser "enriquecida". E aponta em várias direções, como a aplicação de "diversas experiências na realização de habilidades motoras em contexto aberto e dinâmico, associadas à tomada de decisão, intencionalidade e oportunidade da sua execução, de acordo com o objetivo de cada jogo".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os aspirantes a populistas

O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.