300 cães e gatos esperam a sua derradeira oportunidade

Parecem de peluche, mas alguns trazem consigo histórias de vida que são um verdadeiro filme de terror. Dispostos a amar incondicionalmente, 300 cães e gatos esperam hoje pela sua derradeira oportunidade no relvado dos jardins de Belém, em Lisboa.

A iniciativa é da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA) que, anualmente, reúne naquele espaço de lazer as associações que trabalham para o bem-estar dos animais, o qual começa por resgatá-los do sofrimento.

Na campanha de adopção deste ano, são 300 os candidatos a animal adotado, embora as adopções se estejam a realizar a conta-gotas, para lamento da presidente da LPDA.

"Infelizmente, são muitos mais os animais para adoptar do que os adoptantes", disse Maria do Céu Sampaio, que, contudo, ressalva a importância destas adopções só se realizarem por pessoas responsáveis e com "a plena consciência das implicações de ter um animal".

Nos cercados improvisados que desde sábado cobrem o relvado daquele jardim histórico da capital, as associações mostram os seus cães e gatos, contando a sua história e chamando a atenção para as suas necessidades.

Patrícia, uma voluntária da associação AMIAMA, na Amadora, para quem a única dificuldade deste seu trabalho é gerir o tempo, contou à agência Lusa que alguns dos animais chegam àquela organização em "muito mau estado".

"Há histórias tristíssimas de animais que quando chegam à AMIAMA passam as primeiras semanas num medo constante, sem comer nem confiar, tal a forma como foram tratados", disse.

Para Patrícia, partilhar algum do tempo livre com estes animais, nem que seja o suficiente para dar uma festa ou um passeio a um cão ou gato, contribui para "olhar a sociedade de uma outra maneira: a pensar nos outros".

É esse o pensamento que guia Mário Fonseca, um estudante de Medicina Veterinária que desde sempre gostou de animais e que hoje reúne mais de 400 numa quinta.

"Todos os animais - cães, gatos, cavalos, porcos, cabras, ovelhas, galinhas - foram resgatados de maus-tratos e negligência", contou à Lusa aquele que é conhecido por outras associações zoófilas como o "anjo".

Este defensor da causa animal reconhece as dificuldades, até porque semanalmente os custos com a alimentação ascendem a 500 euros, mas acredita que o trabalho de todos demonstra que é possível melhorar a vida dos animais.

Quem o fez hoje sem qualquer sacrifício foi o João Fernandes, nove anos, que realizou um sonho ao adoptar a "Coração", uma cadela preta que veio "aumentar a família".

Sem esconder o entusiasmo, João Fernandes disse à Lusa que sempre quis um cão e que está mais que preparado para esta função. "Sei que tenho de passeá-la, dar comida e banho", afirmou, lamentando que existam "tantos animais que precisam de uma casa para morar".

Também Sofia, nove anos, viu hoje concretizado um sonho, com a adopção do "Rafa", um cão castanho e irrequieto que tinha sido encontrado abandonado, juntamente com dois irmãos.

Agora, deverá ser "a estrela da companhia" na casa de Sofia, uma pequena dona que reconhece não ser fácil cuidar de um cão, mas garante estar "preparada" para a tarefa.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

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