250 novos autocarros, reforço de carreiras e expansão do elétrico

Medidas de caráter mais urgente devem entrar em vigor no primeiro semestre de 2018. Elétrico vai regressar a Campolide e chegar ao Parque das Nações.

Um plano de mobilidade da zona ocidental de Lisboa, 250 autocarros, 30 elétricos, 200 motoristas e a renegociação da expansão da rede de metropolitano são algumas das medidas a concretizar neste mandato, segundo o acordo estabelecido ontem entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda.

O reforço da rede de transportes nas zonas mais carenciadas, com mais carreiras e alargamento de horários é um dos objetivos do plano de mobilidade da zona ocidental de Lisboa, a apresentar até ao fim do primeiro trimestre de 2018. A aplicação das medidas mais urgentes deverá iniciar-se ainda no final do semestre. O plano vai incluir novos equipamentos, uma rede de elétricos rápidos, a articular com os interfaces daquela zona da cidade, prevê o acordo.

O investimento na rede de elétricos passa pela aquisição de "pelo menos" 30 elétricos, dotados de "melhores condições de conforto, segurança e acessibilidade" do que os atuais, que passarão de forma progressiva a ser utilizados nos serviços turísticos.
A reabertura da linha 24, entre Cais do Sodré e Campolide, e a expansão da linha 15 até ao Parque das Nações (atualmente entre Algés e Praça da Figueira), são outros planos a concretizar.

O reforço do serviço da Carris passa também pela contratação de 200 motoristas até 2018 e pela aquisição de 250 autocarros até ao final do mandato. Os primeiros veículos deverão entrar ao serviço antes de 2019.

O acordo entre bloquistas e socialistas compromete o executivo camarário a negociar com o governo a expansão da rede do metropolitano. A expansão na zona ocidental é a prioridade, em paralelo à chamada linha circular. Cabe ao presidente da autarquia, Fernando Medina, apresentar os resultados da negociação até ao primeiro semestre de 2018.

Por fim, no que aos transportes respeita, o documento do acordo revela que os partidos não chegaram a um entendimento quanto à proposta do programa do BE que previa a gratuitidade do passe social para os menores de idade, maiores de 65 e desempregados. No entanto, adianta o documento, ambos os partidos irão "pugnar por tarifários reduzidos na área metropolitana".

Em resultado do acordo assinado ontem entre PS e Bloco de Esquerda, o bloquista Ricardo Robles será o vereador com os pelouros da Educação, Saúde, Direitos Sociais e Cidadania. Em troca, ambos os partidos comprometem-se a respeitar um programa comum em várias áreas de atuação.

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