19 ministros e secretários de estado na oposição

Passos Coelho, Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque, Assunção Cristas e Mota Soares regressam à AR

A sessão evocativa do 25 de novembro, realizada ontem na Assembleia da República, foi um primeiro ensaio daquilo que vai ser a nova primeira fila das bancadas do PSD e do CDS, nesta legislatura. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas na linha da frente, com um grupo de "generais" determinado e preparado para o duro combate político que se advinha. Maria Luís Albuquerque, José Pedro Aguiar Branco, Luís Pedro Mota Soares e Assunção Cristas são alguns exemplos de ex-governantes a transitar dos ministérios para a oposição ao governo de António Costa.

No total deixam o executivo 19 ministros e secretários de estado - 15 do PSD e quatro do CDS-PP - e vão agora ocupar os lugares de deputados para que tinham sido eleitos nas legislativas de 4 de outubro. Além de Passos e Portas, do ministro da Defesa e das ministras das Finanças e da Agricultura, já referidos, transitam também os ministros do Ambiente, Jorge Moreira da Silva; da Justiça, Fernando Negrão; da Presidência e Desenvolvimento regional, Luís Marques Guedes; da Educação e Ciência, Margarida Mano; da Cultura, Igualdade e Cidadania, Teresa Morais; e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Costa Neves. Secretários de Estado são sete: o das Finanças, Manuel Luís Rodrigues; o dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira; o das Comunidades Portuguesas, José Cesário; o do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro; os dois da Administração Interna, Virgílio Macedo e João Almeida; e o do Mar, Pedro do Ó Ramos. Entre os 15 deputados do PSD que vão ter de deixar as bancadas estão Nuno Encarnação (Coimbra), Miguel Peixoto (Braga), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa), Maria Teresa Candeias (Porto) e Ricardo Leite (Lisboa). Os quatro que saem do CDS são Manuel Isaac (Leiria), Francisco Mendes da Silva (Porto), Lília Ana Águas (Aveiro) e Anacoreta Correia (Lisboa). Este último, dirigente do Movimento Alternativa e Responsabilidade, de oposição interna a Paulo Portas e uma das surpresas das listas de deputados, sai para dar lugar a... Paulo Portas.

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