Manifesto: 100 empresários contra governo de esquerda

Empresários preocupados com governo apoiado por PCP e BE assinam manifesto. Documento vai ser entregue ao Presidente

Um balde de água fria. É assim que os mais de 100 empresários que subscrevem o manifesto da Associação das Empresas Familiares veem a iniciativa de António Costa de encontrar um acordo à esquerda e constituir governo com o apoio do PCP e do Bloco. Uma alternativa que gera riscos e incerteza e está a levar os empresários a "cortar nas expectativas", a "adiar contratações" e a produzir "orçamentos defensivos", explica ao DN Peter Villax, vice-presidente da farmacêutica Hovione e promotor do manifesto que apresenta como um alerta e que, sabe o DN, será entregue em mão ao Presidente da República, Cavaco Silva.

"Como é que podemos não nos preocupar com a ideia de um governo apoiado por dois partidos que são estatutariamente contra a iniciativa privada", questiona. "Se o PCP disser que tem políticas para incentivar o investimento, a investigação e o desenvolvimento, ótimo. Mas vivi intensamente 1974 e 1975 e nos últimos 40 anos não ouvi uma expressão de contrição ou arrependimento do PCP pela quase destruição do país", diz ao DN o promotor do Manifesto dos 100 Empresários.

Numa altura em que se preparam os planos de investimento para o próximo ano, em que se discute perspetivas de emprego e crescimento nas empresas, os gestores "começaram a trocar impressões sobre a instabilidade política e perceberam que todos estavam preocupados com a possibilidade de virmos a ter um governo apoiado pelo Bloco e pelo PCP. Foi tudo muito espontâneo", conta ao DN Francisco Van Zeller, ex-presidente da CIP, que assina o manifesto - também subscrito por Vasco de Mello (grupo Mello), José Luís Simões (grupo Luís Simões), António Rios Amorim (grupo Amorim), Pedro Teixeira Duarte (Teixeira Duarte), João Portugal Ramos (JPR vinhos) ou Alexandre Relvas (Logoplaste), entre outros.

Como é que podemos não nos preocupar com a ideia de um governo apoiado por dois partidos que são estatutariamente contra a iniciativa privada

Foram precisas menos de 42 horas para que 115 empresários juntassem o seu nome ao manifesto. "Reunimos um grupo de empresas na segunda-feira, trocámos ideias e produzimos o documento" ao fim do dia, tendo encerrado as assinaturas antes do meio-dia de hoje, revela Villax. E confirma: "Os empresários, por prudência, estão a reduzir os orçamentos para 2016, a adiar contratações. É o contrário do que devíamos estar a fazer" e uma inversão do sentimento de confiança dos empresários, cujo índice vinha a crescer até setembro.

Villax critica ainda o caminho feito por António Costa e a falta de transparência do processo de entendimento à esquerda: "Entre gente de boa fé, o acordo seria discutido, assinado e conhecido em cinco dias úteis. Foi o PS e Mário Soares que salvaram o país; seria bom que António Costa pensasse dessa forma na defesa da liberdade e da democracia." Críticas também feitas por Van Zeller, para quem a posição do PS foi "um murro no estômago". "Conheço bem António Costa e o que aconteceu foi uma inversão repentina de tudo o que se esperava dele e do PS. Habituámo-nos a Soares, Guterres, Sampaio, que tendo ideias diferentes das nossas sempre entenderam as medidas de que o país precisava e isto agora foi uma surpresa que não conseguimos entender."

O ex-presidente da CIP sublinha ainda que quem subscreve o manifesto "é quem tem a caneta na mão" - quem investe no país, quem cria emprego, quem ajuda ao crescimento. "Assim, não assinaremos nada.

Entre gente de boa fé, o acordo seria discutido, assinado e conhecido em cinco dias úteis

"No documento, os 115 empresários sublinham a sua preocupação com a "presente situação" de Portugal, considerando "os erros de gestão do passado e o sofrimento que produziram", sublinhando que a tímida recuperação da economia (1,5% do PIB) pode "estar posta em causa pela incerteza que Portugal atravessa". "Manter a recuperação económica" é o "principal objetivo e missão" e, para isso, os empresários apelam à "união de todos". E alertam: "A desconfiança no futuro esvazia qualquer plano que envolva uma tomada de risco em projetos de investimento ou a criação de novos postos de trabalho."

Leia aqui o manifesto.

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