Costa quer celebrar na Califórnia Portugal tecnológico e da ciência

Primeiro-Ministro disse que um dos objetivos da sua visita à Califórnia é celebrar o Portugal do futuro com novas parcerias tecnológicas e na ciência

António Costa falava no final de um jantar com centenas de portugueses e de lusodescendentes em que condecorou, em nome do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o congressista federal republicano David Valadão, o pintor Mel Ramos e a funcionária consular Júlia Fu Chim.

"Não celebramos neste mês de Portugal nos Estados Unidos apenas o passado, mas também o futuro, em especial aqui na Califórnia. Parte importante da inovação tecnológica, que serve de base às nossas economias e às sociedades modernas, encontrou neste Estado o seu berço. Portugal quer fazer parte desse futuro partilhado e estamos já a colaborar com empresas e organizações com sede na Califórnia", declarou o líder do executivo no seu discurso.

Neste contexto, António Costa disse que uma das metas centrais da sua visita aos Estados Unidos passa precisamente "por aprofundar e diversificar as parcerias" de Portugal com essas empresas e organizações norte-americanas.

"Nos próximos dias manterei um extenso programa de contactos, naturalmente com a comunidade portuguesa, mas também com as entidades oficiais, com instituições académicas e científicas, assim como com o setor empresarial", especificou o primeiro-ministro.

António Costa referiu ainda que, até quinta-feira, fará em Sacramento uma intervenção no Congresso Estadual, por ocasião da proclamação do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, além de ter já agendada uma reunião com o governador da Califórnia.

"Terei a oportunidade de visitar várias grandes empresas tecnológicas com presença em Portugal, como a Google ou a Cisco, assim como me deslocarei a um importante investimento português na Califórnia, a fábrica [da corticeira] Amorim em Napa Valley. Procurarei atrair novos investimentos e apresentar a face moderna do nosso país", afirmou.

Na sua intervenção, cuja parte final foi proferida em inglês, o primeiro-ministro recorreu à história para sustentar a ideia da profunda integração dos portugueses que emigraram ao longo de vários séculos para a Califórnia.

"A Califórnia representou sempre uma nova fronteira para todos aqueles que, vindos de todo o mundo, procuraram espaços mais vastos em território e mais vastos em oportunidades para concretizarem os seus projetos de vida. Há mais de sete gerações que os portugueses dão um contributo de relevo para a vida económica, social e cultural deste grande Estado", considerou, apontando, depois, que a Califórnia alberga a maior comunidade portuguesa nos Estados Unidos, com cerca de 350 mil pessoas.

Já na parte final do seu discurso, o líder do executivo português aplicou esse conceito de "nova fronteira" aos objetivos de modernização de Portugal no presente.

"Nós também temos uma nova fronteira em Portugal. Queremos avançar na inovação, nas qualificações e no conhecimento. A comunidade portuguesa da Califórnia será parte desse futuro que queremos construir", acrescentou.

Após o discurso de António Costa, foi projetado um vídeo em que os responsáveis da comunidade portuguesa de São José apresentaram várias queixas, uma das quais referente à falta de funcionários e à baixa qualidade do serviço prestado pelo consulado de São Francisco.

O 'recado' foi ouvido pelo secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

Outra queixa relacionou-se com a irregularidade e o alto preço do serviço aéreo prestado pela companhia açoriana Sata.

A comunidade portuguesa quer uma ligação direta entre a costa oeste dos Estados Unidos e os Açores.

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