Professora nega que tenha sido alvo de processo disciplinar: "Não sei de nada"

Ministério confirma processo disciplinar a docente, sem revelar identidade, mas jornal Expresso avança o nome da presidente da Associação de Professores de Português

A presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, nega que tenha sido a responsável pela fuga de informação sobre o exame de Português e garante que não foi alvo de um processo disciplinar. "Não sei de nada". O nome de Edviges Ferreira foi avançado pelo semanário Expresso e confirmado ao Público pelo presidente do Instituto de Avaliação Educativa, Helder de Sousa.

Questionada pelo DN, na sequência de notícias que dão conta que será alvo de um processo disciplinar pela fuga de informação, se terá sido a pessoa que passou as perguntas do exame a alguns alunos, a docente foi perentória: "Claro que não fui eu".

O Ministério da Educação anunciou hoje que a Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) decidiu instaurar um processo disciplinar "a uma docente para apuramento de responsabilidade" na fuga de informação relativa ao exame realizado a 19 de junho. Não revela, no entanto, o nome da professora em causa.

De acordo com o jornal Expresso, a docente é a presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, que leciona na secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa, e dá explicações a vários alunos de outros estabelecimentos, nomeadamente do ensino privado. O presidente do Instituto de Avaliação Educativa, Helder de Sousa, disse ao Público: "[Essa indicação] faz parte das informações que reportámos à IGEC".

Em comunicado, enviado no seguimento do contacto do DN, Edviges Ferreira garante que não recebeu nenhuma notificação da parte do Ministério da Educação.

"Não fui até hoje notificada de qualquer tipo de processo em que seja visada, relativo aos factos noticiados pelo jornal Expresso. Surpreende-me que o jornal tenha conhecimento de que supostamente me foi aberto um processo disciplinar, quando eu própria não tenho qualquer conhecimento de nenhum processo", refere.

A docente refuta ainda qualquer ligação ao caso: "Tenho 41 anos de carreira como professora, que falam por si, sempre sem qualquer mácula disciplinar. Obviamente, não cometi qualquer falha ou irregularidade", sublinha Edviges Ferreira.

Dias antes do exame de Português do 12º ano circulou nas redes sociais e no WhatsApp uma gravação que revelava exatamente o que ia sair no teste de avaliação nacional.

Além deste processo disciplinar, foi ainda instaurado um processo de inquérito ao Instituto de Avaliação Educativa, responsável pela elaboração das provas, para apurar se "os procedimentos estão a ser devidamente seguidos".

Paralelamente ao inquérito conduzido pela Inspeção-Geral de Educação está a decorrer uma investigação a cargo do Ministério Público, pedida pelo IAVE, que na altura remeteu à Procuradoria-Geral da República "todas as informações sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal".

Notícia atualizada às 18.23 com as declarações presentes no comunicado enviado por Edviges Ferreira

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