"O Estado dá conforto à dívida da TAP, mas não tem poder para definir estratégia"

Helder Amaral, deputado do CDS, diz que "o Estado paga mas não manda" e questiona para que servem os administradores nomeados pelo Governo

O relatório do Tribunal de Contas que aponta o risco de o Estado ter de injetar mais dinheiro na TAP "confirma que o Estado dá conforto à dívida, paga, mas não tem poder para definir a estratégia da empresa". Quem o afirma é o deputado democrata-cristão, Helder Amaral, que acusa ainda o governo de não dar resposta às questões relativas ao cumprimento do serviço público, como os cortes de rotas e cancelamentos de voos.

O processo de recomposição do capital social da empresa, decorrente da reversão da privatização, agrava "as responsabilidades financeiras do Estado", diz o documento elaborado pelo Tribunal de Contas, a pedido da Assembleia da República. Além de questionar a sustentabilidade do negócio, já que o plano de negócios não revela as expectativas após 2020.

Helder Amaral só não conrcorda com o relatório quando o documento aponta a falta de consenso político que "não conduziu ao resultado mais eficaz". "Só não houve consenso com o PSD e o CDS [que aprovaram a privatização da TAP]. Este modelo tem o rosto da geringonça", diz ao DN.

O deputado do CDS diz que tem ficado sem resposta às várias questões que coloca ao Governo, nomeadamente sobre quanto vai se pagar na recapitalização, regularização da dívida e renovação da frota. "O ministro sempre assumiu que do ponto de vista estratégico da empresa o Governo não intervém. O que fazem então os seis administradores nomeados pelo Estado?" E mais: "O Estado paga mas não manda."

O Ministério do Planeamento e Infraestruturas, que tutela a transportadora aérea nacional, não comenta o relatório do TdC.

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