Matemática terá exame nacional único no fim do ano letivo

Sociedade Portuguesa de Matemática critica fusão de programas numa só prova. Secretário de Estado fala em cumprir expectativas de alunos

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) manifestou ontem, em comunicado, a sua "extrema preocupação" com as "inesperadas" alterações aos referenciais dos exames e das provas de aferição da disciplina promovidas pelo Ministério da Educação. Em causa está, sobretudo, o exame de Matemática A do 12.º ano - que será comum para os alunos que seguiram os dois programas da disciplina - , mas também as provas do quinto ano de escolaridade. Em resposta enviado ao DN, o secretário de Estado da Educação, João Costa, explica que está em causa o cumprimento de "todas as expectativas dos alunos".

A referida prova do 12.º ano deverá juntar aspetos comuns entre o antigo programa da disciplina e o que começou a vigorar a partir de 2013, incluindo também questões alternativas de matérias específicas de cada um. Mas a SPM não só considera esta solução inexequível - " pressupõe que haja turmas separadas para os dois grupos de alunos, já que será irrealista supor que em turmas comuns seja possível lecionar ao longo do 12º ano todas essas matérias", diz - como injusta. Nomeadamente para a "larga maioria" de alunos que seguiram o novo programa, por não terem chumbado à disciplina.

Ao DN, o secretário de Estado defendeu, no entanto, existir "um número não residual de alunos que realizará o exame de Matemática de 12.º ano em 2018 que não esteve exposto ao novo programa", além de terem sido "reportados ao Ministério de Educação muitos casos de incapacidade de lecionação efetiva do novo programa e das novas metas".

João Costa explicou ainda que foram pedidos pareceres, não só à SPM como à Associação de Professores de Matemática, à Direção-Geral de Educação e ao instituto de Avaliação Educativa (IAVE) , tendo o conjunto destes ditado aquela que foi considerada "a solução mais justa e mais capaz de garantir uma efetiva comparabilidade".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.