Cavaco dará posse a Costa, diz Marques Mendes

Comentador diz que Parlamento chumbaria governo de iniciativa presidencial e país não aguenta um executivo de gestão

Marques Mendes defendeu ontem na SIC que o Presidente da República não tem outra alternativa senão dar posse a um governo de António Costa, depois de o executivo de Passos Coelho chumbar no Parlamento.

O conselheiro de Estado que foi ministro de Cavaco Silva nos dois governos de maioria absoluta explicou que a maioria de esquerda chumbaria um eventual governo de iniciativa presidencial e que para o país ser governável precisa de um Orçamento do Estado, o que não é compaginável com um executivo de gestão. O "primado" da Assembleia da República, ou seja, uma maioria de esquerda a apoiar um governo de Costa vai impor-se às reticências do Presidente da República, vaticinou Marques Mendes.

Na sua opinião, Cavaco pode e deve impor condições: um acordo escrito, mas também condições no plano da credibilidade internacional, da estabilidade política e da sustentabilidade orçamental. E esse acordo, disse, deve ser apresentado até à votação do programa de governo de Passos. Isto porque Costa disse que só o chumbaria se tivesse um acordo alternativo.

Quanto ao governo de Passos, Marques Mendes reiterou que deve ter ministros mais políticos do que técnicos e evitar mexidas na lei orgânica. O comentador da SIC defendeu ainda que o programa se deve situar ao centro e deverá aproximar-se do que foi apresentado pelos socialistas.

Marques Mendes considerou acertada a decisão de Cavaco Silva de dar posse a Passos Coelho depois de ter vencido as eleições - e até porque não há ainda acordo à esquerda - , mas disse ter sido contraproducente o "apelo velado" a que os deputados [do PS] violassem a disciplina de voto. E admitiu que o discurso do Presidente não foi claro quanto ao que fará no caso de uma rejeição ao governo de Passos.

Apesar da quebra de tradição, de o presidente da AR não ter saído da bancada mais votada, Marques Mendes elogiou a escolha de Ferro Rodrigues, mas não deixou de fazer um reparo: teve um início "pouco feliz" com um discurso "divisionista".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.