Inspetor-geral quer intensificar atividade e reduzir custos

O inspector-geral do Trabalho, José Luís Forte, pretende intensificar a atividade da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), mas ao mesmo tempo reduzir custos, modernizar os serviços e torná-los mais eficientes.

"A ACT tem de intensificar a sua atividade para melhorar as condições de trabalho dos trabalhadores portugueses, mas ao mesmo tempo reduzindo custos", disse José Luís Forte em entrevista à agência Lusa."Um dirigente tem de ser capaz de organizar os recursos que tem para fazer mais e melhor com menos dinheiro", defendeu o inspetor-geral do Trabalho (IGT). "Isto não pode traduzir-se na diminuição do trabalho", disse José Luis Forte, acrescentando que "há grande espírito de missão na generalidade dos trabalhadores da ACT". O inspector-geral lembrou que a ACT sofreu um corte de dois milhões de euros pelo Ministério das Finanças e que os seus funcionários também tiveram cortes salariais como os restantes trabalhadores do setor público.

"Se não podemos dar mais dinheiro às pessoas podemos pelo menos dar-lhes mais confiança no futuro", afirmou, explicando que esse é o objectivo das visitas que tem vindo a fazer aos 31 centros locais da ACT. É intenção do IGT visitar todas as delegações para discutir com os respectivos trabalhadores o plano de actividades para este ano, para os motivar e ouvir as suas críticas. Para melhorar o funcionamento da ACT, José Luís Forte pretende promover a unidade entre todos os serviços do organismo e a uniformização de atuações, por considerar que não faz sentido os agentes de Braga fazerem uma interpretação da lei diferente da dos agentes do Algarve.

A modernização administrativa da ACT, a introdução de novas formas de comunicação e a modernização tecnológica são algumas das apostas de José Forte para tornar a Autoridade mais eficiente com menores custos. De acordo com o plano estratégico e de atividades da ACT para 2011, a que a agência Lusa teve acesso, as receitas deverão ser de 53.096.241 euros, 73 por cento dos quais provenientes do Orçamento de Estado. As receitas próprias correspondem a 26 por cento, provenientes de custas processuais (120.000 euros), licenciamento industrial (30.000 euros) e taxas (230.000 euros).

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