Inspeção deteta riscos para funcionários em 13 hospitais

A Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) detetou, em 13 hospitais do país, "riscos psicossociais" para a saúde e segurança dos trabalhadores, num total de 220 estabelecimentos hospitalares analisados, no âmbito de uma campanha europeia.

"Já visitámos 220 estabelecimentos hospitalares com internamentos, onde avaliámos os riscos psicossociais que encontrámos em 13 estabelecimentos", disse hoje o inspetor-geral do Trabalho na Subcomissão de Igualdade, onde foi ouvido sobre o tema "independência económica e igualdade de género no mercado de trabalho".

José Luís Forte adiantou que esta ação, que envolve 52 inspetores do trabalho, se insere na Campanha Europeia de Avaliação dos Riscos Psicossociais, que decorre ao longo deste ano em todo o país.

Segundo o responsável, a recetividade dos profissionais e dos responsáveis dos estabelecimentos "tem sido muito boa".

"É um trabalho pedagógico", comentou o inspetor-Geral do Trabalho, avançando que vai ser criado um grupo de inspetores nesta área, cuja intervenção se irá estender ao ensino e aos transportes.

A campanha tem como objetivo "promover e manter o bem estar físico, mental e social dos trabalhadores, prevenindo-os contra os riscos resultantes das más condições de trabalho" e "incrementar a melhoria da qualidade das avaliações de riscos existentes através da ação inspetiva".

Segundo a Agência Europeia, os fatores indutores do risco psicossocial são elevadas exigências emocionais no trabalho, stress, assédio moral e sexual, violência no trabalho, ritmos de trabalho, novas formas de contratação (precária), aumento da carga de trabalho e difícil conciliação da vida familiar com a profissional.

As "consequências individuais dos riscos psicossociais" são psicológicas, como irritação - cansaço, dificuldade de concentração, insónias, angústia, agressividade, aumento de consumo de tabaco e de álcool) - e fisiológicas, como reações cardiovasculares, transtornos músculo-esqueléticos, transtornos digestivos e mentais, nomeadamente "depressão, esquizofrenia e paranóias".

Já a nível organizacional, as consequências são desmotivação, aumento do absentismo e da rotatividade, menor produtividade, mais acidentes, aumento das queixas dos utentes, deterioração da imagem institucional, aumento dos custos diretos e indiretos, mau ambiente psicológico nos locais de trabalho e aumento das situações de conflito, greves e agressões

O Comité dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho (CARIT), com representantes de todos os Estados da União Europeia (UE), afirma que "os riscos psicossociais relacionados com o trabalho são identificados como um dos grandes desafios contemporâneos para a saúde e segurança dos trabalhadores".

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