Indústria quer investigação sobre 'negociatas' no sector

A indústria farmacêutica requereu à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma investigação às acusações do presidente da Associação Portuguesa das Farmácias (ANF) que denunciou recentemente a existência de "negociatas" no sector.

Em comunicado, a direcção da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) informou que a investigação foi requerida "com carácter de urgência".

Em causa estão acusações de "extrema gravidade" de João Cordeiro que, na passada sexta-feira, durante uma conferência de imprensa, se comprometeu a denunciar, em dossiers a distribuir aos partidos políticos, a actuação do Governo na área do medicamento e "as negociatas que alguns interesses têm estado a fazer".

"Os consumidores estão a ser usados como uma cortina de fumo para esconder compadrios e cumplicidades inconfessáveis", disse, na altura, João Cordeiro.

Nessa conferência de imprensa, o presidente da ANF acusou ainda o Governo de fazer "uma transferência directa de rendimento das farmácias para a indústria farmacêutica".

A Apifarma revelou hoje que, "dadas as acusações e a forma como foram proferidas, atingindo o bom nome de todos os operadores da área do medicamento", os serviços jurídicos da associação entregaram terça-feira, na PGR, um pedido no sentido de "o Ministério Público apurar a consistência das declarações de João Cordeiro".

Para a indústria farmacêutica, "a serem reais as ilegalidades e ilegitimidades que João Cordeiro vem agitando com monótona regularidade, especialmente quando em causa está a conquista de mais e maiores vantagens económicas para a ANF, parece óbvio que a denúncia de tais factos, passíveis de eventual procedimento criminal, deve ser feita, em primeira instância, ao Ministério Público, entidade com poderes para investigar e acusar eventuais prevaricadores".

"É tempo de as autoridades judiciais esclarecerem, definitivamente, as verdadeiras motivações e razões do presidente da ANF, acabando de uma vez por todas com as acusações sem rosto e sem confirmação, subterfúgio recorrentemente utilizado como arma de intoxicação da opinião pública e de chantagem junto do poder político quando se trata, por exemplo, de impor maiores margens de comercialização dos medicamentos a favor das farmácias", lê-se no comunicado.

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