Incerteza resulta da perda de credibilidade da banca - que Passos ocultou

Eduardo Cabrita considera que seria desastroso para os ideais europeus sancionar Portugal pelo fracasso de Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque

"Seria desastroso para a confiança nos ideais europeus pretender sancionar Portugal pelo fracasso de Passos Coelho e de Maria Luís ao excederem em 0,2% o limite mítico do défice em 2015."Eduardo Cabrita, no artigo de opinião que o DN aqui publica, faz uma reflexão muito crítica à governação de Pedro Passos Coelho e também da sua ministra das Finanças.

Aliás, o tom acusatório utilizado pelo ministro adjunto do primeiro-ministro é quase sempre dirigido a Passos Coelho e a Maria Luís Albuquerque, que culpabiliza quer pela "instabilidade do sistema financeiro" quer pela "degradação do défice estrutural e no fracasso do objetivo orçamental de 2,7% de défice em 2015" - ano a que se reporta o incumprimento que poderá levar Bruxelas a aplicar sanções.

O ministro adjunto acusa Passos e Maria Luís de terem "ocultado" a verdadeira situação da banca portuguesa, o que na sua opinião se traduz em "custos pesados" para Portugal. "Os maiores fatores de incerteza na sociedade portuguesa resultam da instabilidade e da perda de credibilidade do sistema financeiro deliberadamente ocultadas por Passos Coelho e Maria Luís por razões de calendário político, com pesados custos para os contribuintes e para as empresas", escreve Eduardo Cabrita, para quem a "sucessão infausta" de situações como as ocorridos com o BES, Banif e a "tentativa de fragilização da CGD indiciam um padrão de comportamento gravemente lesivo do interesse público".

Para o ministro, o país tem agora "estabilidade política e paz social"

Assumindo claramente como o grande opositor o PSD, Eduardo Cabrita poupa o CDS e explica porquê: "Se o CDS claramente já fez o luto da passagem à oposição e vem afirmando o seu caminho com propostas alternativas e a natural fiscalização crítica da ação do governo, é confrangedora a negação da realidade por parte do PSD e a mal disfarçada expectativa de que algo corra mal a Portugal."

O governante garante que o atual executivo "defende o interesse nacional" e que "ninguém aceitará que o PSD sacrifique Portugal para tentar salvar a honra perdida dos seus dirigentes partidários".

Em tom de balanço da primeira sessão legislativa, Eduardo Cabrita enaltece decisões como a redução da sobretaxa, a manutenção do controlo de 50% do capital da TAP, a gestão pelas autarquias dos transportes públicos do Porto ou a redução do IVA da restauração, que contrastam com a violação de compromissos públicos e a adoção de "medidas penosas" do anterior executivo.

Estabilidade política, paz social e de tranquilidade democrática, é como Eduardo Cabrita define o ambiente que atualmente se vive em Portugal, o que, na sua opinião, é uma verdadeira lição de maturidade democrática que o país dá à Europa, num momento particularmente conturbado do projeto europeu, após a decisão do Reino Unido de abandonar o bloco comunitário.

Um dos principais ativos desta legislatura é a de mostrar que há opções governativas que não têm de obrigatoriamente integrar a direita, como sempre aconteceu em Portugal quando as eleições ditaram a necessidade de se formar alianças. Para Eduardo Cabrita, as forças políticas de esquerda, leia-se Bloco, PCP e Verdes, têm igual direito e responsabilidade para criar uma solução política no quadro parlamentar e a que foi encontrada após as legislativas de novembro do ano passado. E na sua opinião, esta situação cria "confiança nos cidadãos", reforça a "justiça social" e cria um "ambiente favorável ao investimento".

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