Incêndios. Marcelo quer portugueses esclarecidos sobre gestão dos donativos

"Foi-me explicado, mas acho que deve ser explicado aos portugueses", disse o Presidente

O Presidente da República pediu hoje que "quem de direito esclareça os portugueses" sobre os donativos feitos às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. Marcelo Rebelo de Sousa diz que já recebeu explicações sobre este assunto, e que fizeram sentido, e que agora é necessário esclarecer os cidadãos.

"É preciso explicar aos portugueses aquilo que me explicaram a mim: de onde o dinheiro veio, quem é que o está a gerir, como e quanto", disse o presidente, citado pelo Observador.

"Foi-me explicado a 17 de agosto, mas acho que deve ser explicado aos portugueses que só uma parte do fundo é gerida pelo Estado e outra por outras entidades sociais, por escolha da sociedade civil", continuou o presidente. Marcelo reagia assim à recente denúncia feita pelo autarca de Pedrógão Grande, que diz não saber qual foi o destino dado às verbas nas contas bancárias criadas para ajudar as vítimas.

Questionado sobre se é ao Governo que cabe dar essas explicações, o Presidente da República lembrou que existe "uma unidade de missão" a funcionar e coordenadores do trabalho no terreno, apontando, dessa forma, que poderia ser esta a entidade indicada para o fazer.

Esta terça-feira, o governo informou que o Fundo Revita, criado para gerir os donativos para apoiar as vítimas do incêndio, conta com mais de 20 entidades aderentes e recebeu cerca de dois milhões de euros.

"Até à data, aderiram ao fundo mais de duas dezenas de entidades, com donativos em dinheiro, em espécie e em prestação de serviços, tendo sido entregues donativos em dinheiro no valor de cerca de 2 milhões de euros", afirmou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) num comunicado enviado à agência Lusa.

Marcelo respondeu ainda à denúncia de que algumas das vítimas estavam a receber subsídios duplos, pedindo que esta situação seja resolvida.

"É preciso que, a existirem duplicações ou insuficiências" nos subsídios elas "sejam corrigidas", afirmou o presidente aos jornalistas, em Lisboa, à margem de uma visita ao Centro de Apoio Social, em Marvila, Lisboa.

Marcelo pediu também que se faça "um esforço de nestas três semanas para não utilizar" a tragédia de Pedrógão Grande "na campanha eleitoral".

"Era bom que nas três semanas até às eleições, aquela tragédia, aquelas famílias e vítimas não possam ser envolvidas na campanha eleitoral local", disse o presidente.

O incêndio que começou em junho em Pedrógão Grande provocou 64 mortos e mais de feridos, sendo apenas extinto uma semana depois. Alastrou a Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã.

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