Exército e Força Aérea na prevenção e no combate aos incêndios

Costa afirma compreender reação de revolta e admite erro na gestão das suas emoções

O Governo aprovou hoje uma Estratégia Nacional de Proteção Civil Preventiva, em que define como "essencial" aproximar a prevenção e o combate aos incêndios rurais e como "prioritário" reforçar o profissionalismo e capacitação em todo o sistema.

"A Proteção Civil não é só para depois das calamidades. A Proteção Civil tem que começar na informação que é dada desde a escola até cada casa, para que todos possamos estar melhor preparados para nos protegermos dos riscos", declarou hoje o primeiro-ministro, António Costa, após a reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que demorou mais de 11 horas.

Além da aposta na profissionalização, a Estratégia Nacional de Proteção Civil Preventiva vai reforçar o papel das Forças Armadas e da Força Aérea na prevenção e no combate aos incêndios.

Força Aérea passa a ter gestão e operação dos meios aéreos

O primeiro-ministro anunciou hoje que, na prevenção e combate a incêndios, as Forças Armadas vão ter um papel reforçado no apoio de emergência, ao nível do patrulhamento, e caberá à Força Aérea a gestão e operação dos meios aéreos.

A gestão e operação, por parte da Força Aérea, abrangerá os meios próprios que este ramo das Forças Armadas venha a dispor, mas, igualmente, "a gestão dos meios próprios do Estado e a gestão dos contratos de meios aéreos de combate aos incêndios", acrescentou o líder do executivo.

Segundo o primeiro-ministro, haverá "um papel alargado" das Forças Armadas no que concerne "ao apoio militar de emergência ao nível do patrulhamento, nas ações de rescaldo, na parte logística, no auxílio junto das populações e, ainda, no que respeita às capacidades no apoio ao processo de decisão".

De acordo com António Costa, no mesmo sentido de profissionalização do modelo de combate aos fogos, "será retomada a expansão das companhias dos GIPS (Grupo de Intervenção Proteção e Socorro) da GNR.

O mea culpa de Costa

O primeiro-ministro afirmou compreender a revolta que muitos sentem face às consequências dos incêndios, admitiu erros na forma como conteve as suas emoções, mas frisou que um líder de Governo deve diferenciar emoções e plano pessoal.

António Costa falava no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, em São Bento, que durou mais de 11 horas e que foi dedicada à adoção de medidas para rever os sistemas de prevenção e combate aos fogos e para reparar os danos dos incêndios que deflagraram nos passados domingo e segunda-feira.

Percebo bem a urgência que todos sentimos e compreendo a revolta que muitos sentem. O tempo das instituições não é o tempo da vida de cada um de nós

Já na parte final da conferência de imprensa, o primeiro-ministro foi confrontado com a crítica de ter sido pouco emocional na reação às consequências dos incêndios de domingo e segunda-feira, que causaram 44 mortos.

Costa respondeu que cada um vive as suas emoções "de modo próprio".

"Quem é primeiro-ministro deve procurar diferenciar as emoções que sente enquanto pessoa da forma como a exterioriza no exercício das suas funções", reagiu o líder do executivo.

Admito ter errado na forma como contive essas emoções. Gostava muito mais se alguém dissesse que tinha abusado das minhas emoções

Numa referência ao mandato da Comissão Técnica Independente, que há uma semana entregou o seu relatório, e alusão à espera que o seu executivo teve nos últimos meses - em relação à adoção de medidas de fundo na área dos fogos -, António Costa alegou que a um Governo cumpre respeitar o tempo das instituições que investigaram as causas dos incêndios de junho em Pedrógão Grande (distrito de Leiria) e saber ponderar as conclusões e recomendações das comissões criadas na Assembleia da República.

"Respeitámos esse tempo e agimos. Tomámos as decisões que importava tomar", disse.

Veja aqui as principais medidas

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