Impacto potencial da barragem do Tua devia ser estudado

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, defendeu hoje, em declarações à agência Lusa, que se devia estudar "o impacto potencial" do projeto da barragem do Tua numa região que é Património Mundial.

O jornal Público noticiou hoje que o Comité do Património Mundial da UNESCO vai exigir, numa reunião em junho, a paragem imediata das obras de construção da Barragem de Foz Tua e quer uma análise à situação da área de paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial.

Em reação à notícia do diário, o secretário de Estado da Cultura considerou "razoável que a UNESCO apresente essas dúvidas", mas não admite "perder a classificação de Património Mundial para a região".

Por isso, a tutela concorda que seria "ser altamente desejável a realização de uma missão conjunta de monitorização para estudo do impacto potencial do projeto".

No ano passado, a Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património, alertou que a construção daquela barragem terá "um impacto irreversível" e constitui uma "ameaça ao valor excecional universal".

"A SEC reconhece que todo o processo, herdado do governo anterior, era questionável em vários pontos, aliás já mencionados no relatório do ICOMOS de Agosto/Setembro de 2011", referiu.

Francisco José Viegas afirmou ainda que manifesta "o desejo de acomodar as recomendações sugeridas" pela Icomos e pela UNESCO.

Em dezembro passado, em entrevista à SIC, Francisco José Viegas disse que estava "a negociar com a EDP a possibilidade de encontrar soluções" para atenuar o impacto da central elétrica da barragem de Foz Tua na região classificada do Douro Vinhateiro.

No entanto, não deu resposta quando questionado hoje pela Lusa sobre se já foi encontrada alguma solução.

Exclusivos