Imigrantes explicam a partidos da 'geringonça' porque exigem papéis

O Bloco de Esquerda, o PS e o PCP foram os partidos que aceitaram receber os imigrantes que hoje protestam em frente ao Parlamento. Vivem e trabalham em Portugal, pagam impostos e não estão legais. Umas centenas que também vieram do sul do país

Uma delegação de 15 pessoas, representativas das comunidades estrangeiras e das associações de direitos humanos, ainda se encontra no interior da Assembleia da República, em reuniões com o PS e os grupos parlamentares que sustentam este Governo: o BE e o PCP. Aliás, os bloquistas, num grupo encabeçado por Catarina Martins, desceram logo pela manhã as escadarias de S. Bento para mostrar solidariedade aos imigrantes e foram os primeiros a recebê-los. Seguiram-se o PS e o PCP.

"O primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna dizem que Portugal precisa de mais imigrantes. Nós estamos aqui, trabalhamos e pagamos impostos, o que pedimos é que olhem para nós e nos tratem com dignidade", reclama Jorge Silva, da direção da Solidariedade Imigrante, uma das associações promotoras da concentração desde as 10:00 em frente à AR.

Foram 26 as organizações envolvidas, nomeadamente representantes das comunidades asiáticas e que constituem um dos principais fluxos de imigração no país.

Protestam pelos imigrantes que trabalham e têm um contrato de trabalho, o que significa que pagam impostos às Finanças e a Segurança Social, mas que não podem ter uma autorização de residência porque entraram ilegalmente em Portugal. Um requisito da Lei de Estrangeiros, mas com abertura para as situações de exceção. Em 2016, uma norma fez com que a exigência se tornasse obrigatória. E mais de 30 mil estão sem documentos, protestam as associações.

É o caso de Jatwinder Singh, um indiano de 29 anos e que imigrou do país de origem para França. Não correu bem, desceu pela Europa até chegar a Portugal, em 2013. Trabalha numa fábrica de pão onde é efetivo. "Gosto do que faço, o meu patrão gosta do meu trabalho (permitiu que tirasse folga para estar aqui hoje), mas o meu pedido de residência veio indeferido. Dizem que não posso fazer nada porque não tenho um visto de entrada em Portugal. Tudo o que eu tenho está aqui. Quero ficar!"

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