Homens estão a abandonar áreas metropolitanas

A presença das mulheres nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto é cada vez mais acentuada, em parte devido à crescente migração masculina, afirmou hoje o especialista em demografia Jorge Malheiros.

Baseando-se nos resultados preliminares dos Censos 2011, três investigadores da Universidade de Lisboa (UL) fizeram uma análise da evolução dos últimos anos das áreas metropolitanas, que hoje foi apresentada no Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os números dos Censos, "o ritmo de crescimento masculino atenua-se bastante mais do que o feminino nas duas áreas metropolitanas", afirmou o professor da UL Jorge Malheiros, apontando "a migração e a sobre-mortalidade masculina" como explicação para a presença mais acentuada das mulheres.

Em declarações à Lusa, o especialista explicou que a saída masculina poderá estar associada à crise e às características de "empregos mais móveis" que estão normalmente associados aos homens, como a construção civil ou as obras públicas.

"Por um lado, os homens têm normalmente empregos que permitem mais mobilidade, por outro, estão em empregos que são mais afectados pela crise", explicou o geógrafo.

Da mesma forma, a presença das mulheres nas áreas metropolitanas deverá estar associada ao emprego: as grandes cidades têm normalmente mais oferta de empregos na área terciária, que "são menos afectados pela crise" e "são mais atractivos para as mulheres".

Os dados preliminares não permitem ainda desvendar o destino dos homens que abandonaram as áreas metropolitanas: "Há duas hipóteses, ou foram para o estrangeiro ou mudaram-se para outras zonas do país, como o Algarve, que continua a ter um saldo migratório muito alto", avançou Jorge Malheiros.

Comparando as duas áreas metropolitanas é possível perceber que o saldo migratório masculino é bastante mais evidente no Porto do que em Lisboa sendo que na zona de Entre Douro e Vouga "o saldo migratório masculino chegou mesmo a ser negativo, ou seja, nesta área saíram mais homens do que os que entraram".

Esquecendo o fenómeno da migração masculina, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto têm comportamentos "muito distantes": no norte o ritmo de crescimento é inferior à media nacional, enquanto na Área Metropolitana de Lisboa o crescimento "acelerou", sendo três vezes superior à média, sublinhou ainda o especialista.

Durante a tarde de hoje, especialistas na área da demógrafia estiveram reunidos para analisar os dados já conhecidos dos Censos. Segundo Fernando Casimiro, coordenador do Gabinete dos Censos, no final do ano ou início do próximo serão revelados novos números.

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