Holding das indústrias de Defesa sem presidente

Ministério da Defesa anuncia novo presidente da comissão liquidatária da Empordef na próxima semana.

O ministro da Defesa aceitou a demissão de Eduardo Carvalho da presidência da comissão liquidatária da Empordef, a holding das indústrias de Defesa que está há anos para encerrar.

Eduardo Carvalho foi nomeado pelo antecessor de Azeredo Lopes para liquidar a Empordef - cujo prazo para tomada de decisão já foi ultrapassado à luz do Código das Sociedades Comerciais, assinalou uma das fontes ouvidas esta sexta-feira pelo DN - e o seu mandato terminaria em outubro.

Segundo uma das fontes, Eduardo Carvalho invocou "circunstâncias recentes no plano pessoal" para fundamentar o pedido de demissão. O seu substituto deverá ser conhecido na próxima semana, segundo fontes do Ministério da Defesa.

Outra fonte do setor, contudo, admitiu que na base da decisão possa estar o esgotamento do prazo para saber se a Empordef "renasce ou extingue-se".

O governo anterior decidiu extinguir a holding das indústrias de Defesa, algumas das quais a privatizar - ou extinguir, como foi o caso dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

A verdade é que esta empresa continua por dissolver devido ao diferendo com a Venezuela por causa da construção de dois navios asfalteiros. Isso arrasta a decisão sobre o futuro da Empordef, devido à exigência que Bruxelas para que os estaleiros devolvam 290 milhões de euros de ajudas de Estado canalizadas através da holding.

O atual Governo PS, com o apoio parlamentar do BE e do PCP, manifestou reservas à solução de extinguir a Empordef e de privatizar empresas públicas no setor da Defesa, mas para já não há alterações a essa solução, precisou a tutela.

A recente decisão de Portugal em adquirir aeronaves militares de transporte KC-390 - da brasileira Embraer - poderá também influenciar o futuro da Empordef, admitiu uma das fontes, dado ser através da holding que o Estado partilha o capital da OGMA (com 35%) com o construtor aeronáutico brasileiro.

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