Helicópteros do INEM inoperacionais o equivalente a 26 dias no ano passado

Problemas no preenchimento da escala de médicos afetou funcionamento dos meios de Lisboa, Évora e Loulé

No ano passado os helicópteros do INEM de Lisboa, Évora e Loulé estiveram inoperacionais por falta de médico o equivalente a 26 dias, juntando todos os períodos em que não puderam funcionar. Isto porque aqueles profissionais de saúde são prestadores de serviço e as escalas vão sendo preenchidas à medida das disponibilidades apresentadas. Em caso de emergência, se o helicóptero estiver indisponível, terá de ser acionado um de outra região ou então meios terrestres que poderão atrasar o tempo de socorro, alerta o Sindicato Independente dos Médicos (SIM). O INEM diz que está em fase de contratação de mais 20 médicos.

O DN teve acesso às escalas deste mês dos helicópteros de Lisboa e Évora que mostram 11 turnos de médicos, no primeiro, e nove, no segundo, por preencher. Também há médicos que aparecem escalados em turnos de 36 e 48 horas. Situações que se repetiram em meses anteriores e que mostram a dificuldade em ter clínicos disponíveis e escalas completas em antecipação. Os aparelhos ficam inoperacionais quando a equipa está incompleta.

O INEM explica que as escalas "são dinâmicas e que só ficam efetivamente encerradas no último dia do mês a que dizem respeito, porque são praticamente todas asseguradas por médicos em regime de prestação de serviços e que vão sendo preenchidas consoante as disponibilidades dadas por estes profissionais ao longo do mês". Adianta que recorre a várias estratégias para completar as escalas e garante que "todos os turnos de março dos helicópteros de Lisboa e Évora estão, neste momento, assegurados e que estes meios estarão operacionais". Quanto aos turnos de 36 e 48 horas, diz que vão sendo retificados à medida que conseguem novos médicos para alguns desses turnos.

Mas em 2016 não foi possível assegurar médico em todos os turnos. Segundo dados do INEM, o helicóptero de Lisboa registou 15 dias em que a operacionalidade não foi completa num total de 207 dias previstos de funcionamento. Seguiu-se Évora com 9 dias em que os turnos não foram todos preenchidos num total de 366 dias previstos de funcionamento e o de Loulé, com três dias de inoperacionalidade em 366. Santa Comba Dão e Macedo de Cavaleiros tiveram todos os turnos preenchidos.

"Os 26 dias de inoperacionalidade não são dias completos, mas sim a soma de todos os períodos de inoperacionalidade de todos os helicópteros. Em fevereiro 20 novos médicos fizeram formação do INEM para prestar serviço nos helicópteros e encontram-se já em fase final do processo de contratação", diz o INEM, que contabiliza no total dos cinco aparelhos uma taxa de inoperacionalidade de 1,56% e uma média de saídas diária de 0.4 em Lisboa e 0.6 em Évora. Não houve turnos inoperacionais por falta de enfermeiros.

"Esse período em que não há médicos, o helicóptero fica inoperacional. Se houver um acidente e, por exemplo, a vítima precisar de neurocirurgia que não existe no interior alentejano poderá demorar de ambulância até Lisboa três a quatro horas. No helicóptero poderiam ser possivelmente 40 minutos. Têm de se criar condições para que todas as pessoas se sintam seguras. O facto de o sul do país ter grande carência de médicos e especialidades que não existem, faz com que seja mais difícil a prestação de cuidados", afirma Armindo Ribeiro, representante do SIM no Alentejo.

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, reforça: "Não podemos ter um serviço de emergência suportado por prestadores de serviço e escalas que um mês ou 15 dias antes tenham 25% dos dias por preencher. Não é admissível que existam colegas com turnos de 36 e 48 horas de trabalho, períodos que não são desejáveis em qualquer serviço. Defendemos que o INEM deve tomar medidas para que os médicos trabalhem formalmente para o INEM. Só dessa forma é que se pode garantir qualidade. O SIM vai pedir à Ordem dos Médicos que avalie os possíveis efeitos da indisponibilidade de meios".

O INEM tem 96 enfermeiros e 116 médicos a prestação de serviços nos meios aéreos, que recebem por um turno entre as 8.00 e as 20.00 num dia útil 111 e 250 euros, respetivamente. Aos custos com os profissionais de saúde, juntam-se os dos pilotos: 6,5 milhões de euros anuais a uma empresa de helitransporte e ainda 1 milhão de euros ano previstos no contrato com a proteção Civil em relação aos helicópteros de Santa Comba Dão e Loulé.

Questionado se o aumento do valor pago à hora e a criação de uma carreira médica de emergência poderiam ajudar a resolver o problema de falta de médicos, o INEM diz: "O aumento de pagamento, não existindo garantia de que solucionaria esta matéria, poderia aumentar as disponibilidades dos médicos. O INEM vem defendendo, há vários anos, a criação da referida especialidade, o que poderia facilitar a disponibilidade de médicos para operacionalizar este meio".

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