Guterres: escolho o candidato que o PS apoiar

António Guterres considera "politicamente legítima" a solução que levou os socialistas ao governo. "Esta é a regra da democracia", disse esta noite em entrevista à RTP

O ex-primeiro-ministro não quis revelar qual o candidato presidencial que prefere, frisando que não se iria "antecipar ao PS em matéria de escolhas" . Guterres admitiu sentir-se em "dívida" com o seu partido e ter "consciência" da desilusão que causou, por não se ter disponibilizado para a corrida a Belém e, por isso, não "quer criar complicações adicionais". Para o ex-dirigente socialista será "um fator decisivo" na sua escolha "o apoio que o PS vier a anunciar". Até lá, assinalou, "manterei um grande recato na campanha para as presidenciais". De qualquer forma, salientou que nem considera que tivesse perfil para o cargo: "todos devemos fazer na ida aquilo para que temos vocação e a minha é a ação no terreno, intervir permanentemente. A minha visão do Presidente da República é o oposto a isto. Deve ser um árbitro e eu gosto de jogar à bola".

Questionado sobre a situação política do país, Guterres defendeu que a solução encontrada por António Costa para chegar ao governo (acordo entre o PS, o PCP, o BE e Os Verdes) é "politicamente legítima". Há "uma questão essencial", assinalou, "somos um país democrático, todos os votos são iguais, não há votos de primeira e de segunda. Se a solução para formar governo tiver o apoio da maioria dos deputados da assembleia, ela é politicamente legítima. É a regra da democracia".

A maior parte do tempo da entrevista foi para Guterres contar a sua experiência como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, para falar no "sofrimento avassalador" que testemunhou, para criticar a União Europeia por não ter sido capaz de se organizar para receber os refugiados ("apenas um milhão dos 15 milhões, menos de dois por cada mim cidadãos europeus) em segurança e para recordar... Angelia Jolie, que era a sua "embaixadora". "Conhecedora, inteligente e de grande sinceridade no que faz. Não é apenas uma estrela de cinema que só ali está para a fotografia. Tinha um grande empenhamento pessoal, fortemente sentido. Nada era artificial", asseverou.

A concluir, deixou a garantia que voltar à política não está nos seus horizontes. "Não tenho qualquer intenção de me dedicar à vida política portuguesa. Esse capítulo ficou encerrado. Não se deve voltar atrás, deve-se andar sempre para a frente", disse, sem revelar que planos tem para o futuro.

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