Guterres apoia reforma do Conselho de Segurança e igualdade de género na organização 

No primeiro debate entre candidatos, Guterres defendeu que o próximo secretário-geral da ONU tem de ser "sólido" e um "símbolo de unidade"

António Guterres disse esta terça-feira na ONU, em Nova Iorque, no primeiro debate entre candidatos a secretário-geral, que apoia a reforma do Conselho de Segurança da organização.

Guterres concordou com os outros participantes, afirmando que o Conselho de Segurança tem problemas de representatividade da comunidade internacional, por não ter, por exemplo membros permanentes oriundos da América Latina ou África.

Diria o mesmo que disse Kofi Annan: nenhuma reforma da ONU está completa sem uma reforma do Conselho de Segurança

"Mas isto só será possível se os países membros assim o quiserem e se criarem o consenso necessário para que essa reforma aconteça", disse Guterres, explicando que o secretário-geral tem áreas que não são da sua competência.

"Irei apoiar, mas de nenhuma forma irei substituir os países membros neste assunto, assim como em muitos outros", explicou o candidato.

Numa ronda de perguntas sobre prevenção de conflitos, o português disse que "há mais atenção para a manutenção de paz porque as câmaras estão lá" e que todos sabem "o que está a acontecer" e que isso não acontece quando um conflito está nas fases iniciais.

Para Guterres, "tem de haver um continuo, com as mesmas prioridades e as mesmas estratégias," durante todas as fases em que a organização lida com conflitos, o que não acontece neste momento.

O candidato lembrou que a questão não é, no entanto, fácil e "existe um debate na comunidade internacional porque muitos acreditam que existe o risco de interferir na soberania internacional".

"E é aqui que o secretário-geral pode intervir, de forma humilde, para criar pontes entre os vários participantes, e fazer entender que existe uma forma da prevenção de conflitos ter resultados e reduzir o sofrimento humano".

António Guterres afirmou ainda na ONU, em Nova Iorque, que se for eleito irá existir paridade entre géneros nas nomeações da organização.

"Vamos ter objetivos, metas e avaliações permanentes para assegurar que tudo está a ser cumprido", disse o candidato português.

Na sua declaração inicial no debate com 10 dos 12 candidatos, o português disse que o próximo secretário-geral da ONU tem de ser "sólido" um "símbolo de unidade" e que "precisa saber combater, e derrotar, o populismo político, o racismo e a xenofobia". "E esses são valores que tive toda a minha vida", concluiu.

No debate, foram discutidos "temas que têm efeitos devastadores em todo o mundo, desde guerras civis a terrorismo, refugiados que fogem das suas casas, mudança climática catastrófica entre muitos outros", segundo a diretora de comunicação da Al Jazeera, que transmitiu o evento, Abdulla Al Najjar.

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