Guardas prisionais alertam para cadeias sobrelotadas

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional advertiu hoje para a situação que se vive nas cadeias, alegando que estão sobrelotadas e com reclusos jovens, ao contrário dos guardas, que são cada vez menos e mais velhos.

O alerta do sindicato foi feito durante a vigília que hoje está a decorrer frente ao Ministério da Justiça, onde mais de uma centena de guardas prisionais protestam contra o impasse nas negociações com o Governo, sobre o estatuto profissional.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do sindicato, Jorge Alves, explicou a importância do corpo da guarda prisional ter um novo estatuto profissional, considerando que sem este documento há uma "estagnação na carreira", uma vez que são precisos novos guardas.

"Cada vez mais está em causa a segurança, manutenção da ordem e o equilíbrio do sistema prisional", disse, sublinhando que os presos nas cadeias estão a aumentar cada vez mais e atualmente há mais de 14.000 reclusos.

Em contrapartida, os guardas prisionais são "cada vez menos e mais velhos, para uma população prisional cada vez mais jovem, obrigando a um maior esforço" e a dificuldades em "garantir com eficiência a segurança do sistema".

No Terreiro do Paço, mais de uma centena de guardas prisionais de Lisboa, Guarda, Coimbra, Porto, Faro e Beja, manifestam a sua indignação ao som de apitos e de palavras de ordem, principalmente contra a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

"Os guardas prisionais querem um estatuto", "Paulinha Teixeira és a nossa cruz", "ministra vem à janela ver os guardas prisionais" e "está na hora de o Governo ir embora" foram as palavras mais ouvidas.

Jorge Alves adiantou que os guardas prisionais estão a manifestar-se através do "barulho para despertar e chamar a atenção" do Ministério da Justiça para o facto de não ter cumprido o prazo prometido no que se refere à conclusão do estatuto profissional, que era março de 2013.

Segundo Jorge Alves, o estatuto profissional já devia estar concluído em março, mas o Ministério das Finanças quer agora iniciar um novo processo de negociações e ignorar as conversações mantidas com o Ministério da Justiça há mais de um ano.

A vigília ocorre depois de dois períodos de greve, que registaram adesões acima dos 90 por cento, e quando já estão marcadas mais duas paralisações, decorrendo o primeiro entre 21 de maio e 01 de junho e o segundo entre 03 e 08 de junho.

O presidente do sindicato disse ainda que os guardas prisionais estão "dispostos a ir até onde for preciso, caso o Governo não apresente um documento com os pontos já discutidos com o Ministério da Justiça".

Jorge Alves adiantou que vão continuar em formas de luta, principalmente greves e vigílias para manifestar a indignação.

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