Greve trava cirurgias mas a consulta não teve problemas

No Hospital de Santa Maria, a greve de 68% dos anestesistas travou a maior parte das cirurgias agendadas para a manhã desta terça-feira.

Já nas consultas, a paralisação apenas afetou 23% dasmarcações. No Hospital de São José, as consultas foram sendo realizadas, mas houve especialidades, como a cirurgia plástica, que não tiveram qualquer médico presente.

Pela manhã, as consultas pareciam decorrer com normalidade no Hospital de São José: as pessoas iam sendo chamadas, os números iam-se sucedendo nos guichês. No piso de baixo, a maior parte dos utentes tinham já garantia de que iam ser chamados.

Já no piso superior, as cadeiras estavam todas ocupadas. "Nada que não seja habitual mesmo sem ser em greve", contou ao DN um utente que ali estava sentado. Mas em ortopedia, esperavam vários doentes pela consulta de um médico. "Não chamam ninguém para o gabinete 29", conta Jorge Pires, de 58 anos.

Como ele, aguardam as irmãs Maria e Silvina da Piedade, que, azar dos azares, nem sequer tinham consulta marcada. "O médico disse para vir cá hoje porque era algo rápido e de outra forma tinha de esperar muito pela consulta".

No guichê, ia-se conseguindo saber se alguns médicos estavam, mas não estes utentes da ortopedia. "Disseram para esperar porque não sabiam se o médico vinha", explica Jorge Pires.

Uma das administrativas disse ao DN que a situação estava tranquila. "Em otorrino só há dois de greve, na urologia vieram todos. Mas na cirurgia plástica parece que não vai mesmo haver consulta. Não veio nenhum médico", explicou.

Ao fim da manhã, adensava-se a fila em São José, e muitos dos que esperavam já estavam a ser informados de que não iriam ter consulta.

Já em Santa Maria, o presidente do conselho de administração, Carlos Martins, disse ao DN que a greve era de 32,07%. "Realizaram-se 77% das consultas", revelou, sem especificar os números absolutos.

Houve áreas sem médicos em greve, mas outras, as mais técnicas e de ponta, revelaram mais problemas. "a cirurgia cardiotorácica teve 79% de grevistas, mas a cirurgia geral só teve 5%". Oftalmologia, cirurgia plástica e reumatologia foram outras áreas muito afetadas.

Pior foi a anestesiologia, com 68%. "Nãos abemos quantas cirurgias ficaram por realizar, até porque parte delas foram remarcadas e outras foram antecipadas. Mas claro que grande parte das equipas ficam paradas, porque dependem dos anestesistas".

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