Greve está a afetar sobretudo recolha de lixo, escolas e transportes

Na origem da greve estão os cortes salariais na Função Pública, o aumento do horário semanal, a colocação de trabalhadores no regime de requalificação e o congelamento das carreiras.

A recolha de resíduos sólidos urbanos, as escolas, os transportes e os serviços de limpeza diurnos são os setores onde o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local verificou maior adesão à greve de hoje na Administração Pública.

De acordo com José Correia, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), durante a última noite registou-se "uma muito boa adesão dos trabalhadores da recolha de resíduos sólidos urbanos, a que não é estranha a perceção destes trabalhadores da tentativa de privatização dos resíduos por este Governo".

Dados do sindicato revelam que não houve recolha noturna em grandes cidades como Évora, Amadora, Sintra, Loures, Almada, Seixal, Barreiro e Setúbal. A recolha diurna de lixo esteve encerrada em Braga e não houve higiene urbana em Coimbra.

Relativamente aos transportes urbanos municipais, José Correia destacou que a greve teve uma grande expressão nomeadamente nos transportes municipais do Barreiro, com adesão de 100%, Coimbra (muito próxima dos 100%) e de Braga, também "no mesmo nível".

A adesão à greve encerrou mais de uma centena de escolas do primeiro ciclo, que dependem da administração local.

"Em três distritos, uma esmagadora maioria de escolas de primeiro ciclo registaram percentagens de adesão superiores a 80% ou encerraram: em Viana do Castelo, Setúbal e Évora", disse, acrescentando que o mesmo se verificou noutras cidades, exemplificando com Albufeira e Silves.

O sindicalista destacou que vários edifícios de paços de concelho e outros, como bibliotecas e piscinas, encerraram, "com resultados muito diversificados no país".

"A esmagadora maioria das câmaras municipais e juntas de freguesia do distrito de Beja estiveram encerradas, os jardins e o setor das águas da câmara da Guarda, as oficinas e o estaleiro dos transportes da câmara de Lisboa também fecharam, em Estarreja, no distrito de Aveiro, o setor operacional esteve encerrado a 100% o que não tinha acontecido noutras vezes", destacou.

Quanto às juntas de freguesia, os dados "são mais difíceis de recolher, mas já foram detetadas mais de 200 encerradas", com uma "incidência expressiva" na área Metropolitana de Lisboa.

"Há um fator muito importante a contribuir para estes resultados: a luta que temos travado em redor [da manutenção do horário semanal] das 35 horas. Em municípios que - sobretudo no norte e no centro - tinham adesões mais baixas, as adesões subiram hoje sobretudo onde recentemente fizemos ações e assinamos acordos para manter as 35 horas", considerou.

A Coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila, afirmou hoje que a média de adesão à greve dos trabalhadores da Administração pública, a nível nacional, situava-se ao final da manhã entre os 80% e os 82%.

A greve de hoje foi convocada pela federação sindical filiada na CGTP e teve depois a adesão do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) e do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Na origem da convocação da greve estão os cortes salariais na Função Pública, o aumento do horário semanal das 35 para as 40 horas, a colocação de trabalhadores no regime de requalificação, o congelamento das carreiras e a falta de negociação no setor.

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