Greve dos professores aumenta nervoso de alunos

A época de exames costuma gerar "nervoso miudinho", mas, este ano, há alunos do secundário mais stressados devido à incerteza que tem rodeado a realização da prova nacional de Português na segunda-feira, dia de greve de professores.

Na Escola Secundária Gabriel Pereira, em Évora, o estudo para o primeiro dos exames nacionais do secundário está praticamente pronto, mas as dúvidas, não sobre a matéria, mas sobre se há prova, ainda são muitas.

"Estamos a estudar para chegarmos aqui, fazermos o exame e ficarmos já despachados. Agora, esta coisa da greve, há greve, não há greve, vamos fazer exame, não vamos fazer exame, é óbvio que perturba a nossa concentração", conta à Lusa Jennifer Silva, de 18 anos e estudante do 12.º ano naquela escola alentejana.

A sua amiga e colega Teresa Valido, da mesma idade, tem sentido a mesma inquietação: "Mesmo que o exame aconteça na segunda-feira, só esta confusão toda, as notícias, os professores antes de as aulas acabarem sempre com esta conversa, isto perturba-nos um bocadinho".

Os professores têm greve convocada para segunda-feira, dia em que estão marcados os exames de Português e de Latim do 12.º ano, para contestarem a aplicação do regime de mobilidade especial aos docentes, temendo o despedimento, e o aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.

O Ministério da Educação já disse que "os alunos vão fazer o exame na data prevista" e convocou todos os docentes, mesmo os de Latim e Português, excluindo os do pré-escolar, para acompanharem os exames do secundário.

Já a "sonhar" com o curso universitário de Direito, para o qual precisa dos exames de Português e História, Jennifer Silva afiança que toda esta situação "influencia bastante" o "estudo e empenho" dos alunos.

Apesar de se sentir mais experiente na realização deste tipo de exames, o "nervoso miudinho" está "um bocadinho mais forte porque parece que são mais fatores a influenciar".

"Se não fosse uma coisa preponderante na minha vida, se calhar eu não estaria tão nervosa, mas, como sei que preciso disto, custa mais um bocadinho", realça.

Ao seu lado, a colega Sara Ramos, de 18 anos, que planeia seguir Engenharia Mecânica na universidade, está mais tranquila, porque o exame de Português que vai fazer não é requisito para esse curso, mas admite estar na expetativa.

"Se o exame for segunda-feira, vou estudar, mas, se não acontecer, é tempo que poderia estar a estudar para outras disciplinas que me fazem mais falta", relata.

Teresa Valido, que quer seguir Medicina, tem tentado abstrair-se das notícias em torno dos exames e da greve, mas reconhece que é difícil.

"Às vezes estou a estudar para Português e penso: Será que vale a pena? Até fico com menos motivação para estudar porque esta destabilização toda" a quem "prejudica mais é a nós", diz.

Sabe que "o estudo nunca será em vão", porque vai ter que fazer as provas "mais tarde ou mais cedo". Dispensava era a "confusão" adicional, ainda que entenda "a luta" dos professores.

"Sabemos que se sentem injustiçados [os professores], que têm muito medo do que poderá acontecer no futuro. Compreendemos o lado deles, só pedíamos era que compreendessem o nosso. Nós não temos culpa" e "há tantas maneiras de manifestação e de greve que não deveriam ter feito isto numa altura tão preponderante para nós", disse.

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